AFP PHOTO / AHMAD AL-RUBAYE
AFP PHOTO / AHMAD AL-RUBAYE

5 pontos-chave sobre o conflito em Mossul

Forças militares iraquianas avançam nas operações para retomar a cidade; alguns pontos ainda permanecem sob controle dos extremistas

O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2017 | 14h33

As forças militares conjuntas do Iraque continuaram nesta sexta-feira, 24, com a operação para retomar o oeste de Mossul - alguns pontos ainda estão sob controle dos jihadistas do Estado Islâmico (EI). Os militares do grupo de reação rápida da Polícia Federal invadiram o aeroporto da cidade na quinta-feira, enquanto o Exército atacou o quartel de Al Gazalani, um dos mais importantes dos extremistas em Mossul, segundo o comandante das Operações Conjuntas, general Abdelamir Yarala.

Veja abaixo cinco questões importantes sobre o conflito, segundo informações da emissora CNN.

Como é a batalha?

A batalha pelo oeste de Mossul provavelmente é mais dura do que a disputa pelo leste da cidade. Imagens de satélite e algumas testemunhas indicam que as defesas do EI são mais fortes nesse local, e os inúmeros becos tornam a área de difícil acesso para veículos blindados. Por outro lado, as forças especiais americanas ganharam mais experiência no leste. Um sargento da Força Antiterrorismo disse à CNN em janeiro que sua unidade havia parado de usar carros e passou a seguir a pé durante a noite, o que frequentemente surpreendia os jihadistas. A diferença desta fase do conflito é que antes, quando os militantes estavam no leste de Mossul, eles tinham a opção de desistir do lado oeste da cidade. Agora, eles estão concentrados em uma pequena porção do território iraquiano, com rotas de fuga ao longo do deserto e em direção à Síria. A maioria dos membros do grupo terão que decidir entre a morte e a rendição, o que tornará a batalha ainda pior.

O que acontece com os civis?

Os civis que vivem na região em conflito contam com poucas opções. Todas as pontes que ligam a parte leste de Mossul à parte oeste foram destruídas. Escapar pelo sul, em meio à guerra, seria perigoso, mas os suprimentos básicos estão se esgotando. O escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) disse que “a comida e o combustível disponíveis continuam sendo reduzidos, com moradores tendo de recorrer à queima de mobília e entulho para se manterem quentes. “Os mercados e lojas estão fechados, a água corrente é escassa e a eletricidade em muitos bairros não é contínua ou é cortada”, informou o escritório. Um prolongamento da batalha no oeste da região só iria piorar a situação.

Os iraquianos têm tropas suficientes?

Para expulsar os jihadistas do oeste de Mossul, o Exército iraquiano teve que implementar muitas unidades de elite que tomaram o controle das regiões próximas. O risco é que “segurar as forças” deixadas para trás é uma medida menos testada e menos disciplinada, segundo alguns analistas.

O que acontece agora?

Assim que a batalha for vencida pelas forças iraquianas, tudo se resume à reconstrução e reconciliação. Grandes extensões de terra no leste de Mossul foram devastadas, veículos foram incendiados, inúmeras casas se transformaram em entulho e grande parte da infraestrutura está comprometida. Os serviços públicos e a segurança precisam ser restaurados se a população local pretende ficar na cidade - mas o preço será muito alto, calculado em bilhões. Além disso, ainda não existe um acordo sobre como governar Mossul, onde grupos sunitas, curdos, cristãos e turcos tentarão impor sua influência diante do vazio deixado pelo EI.

Seria esse o fim do EI no Iraque?

A retomada de Mossul pode apenas oferecer um modelo de compartilhamento de poder e recursos no Iraque, mas a experiência do que foi visto nos últimos 14 anos não é encorajadora. Sectarismo, corrupção e, mais recentemente, a queda do preço do petróleo têm prejudicado os esforços para reerguer o território iraquiano. Mesmo se o EI for vencido em Mossul, suas raízes profundas no Iraque não serão erradicadas. Haverá tentativas de fazer a cidade voltar ao que era. Nas regiões da Província de Diyala e perto de Tikrit, o EI já vem mostrando sinais de vida regenerada. O oficial de inteligência curda Lahur Talabani disse à agência de notícias Reuters recentemente que mesmo que o EI desapareça do mapa, “outro grupo irá surgir com um nome diferente e em uma escala diferente”. “Os próximos anos serão muito difíceis para nós, politicamente”, afirmou ele.

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