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A ameaça do jihadismo gângster

Europa começa a enfrentar o elo entre terrorismo e crime organizado, problema que há décadas assombra a América Latina

Hélio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2017 | 11h15

A Europa começa a enfrentar um problema que assombra a América Latina há décadas: o elo entre terrorismo e crime organizado. Por aqui, a aliança de guerrilheiros e narcotraficantes vitimou países como México, Peru, Colômbia e até Brasil (exemplo foi o acordo entre Farc e PCC). Por lá, espalha-se uma espécie de “jihadismo gângster”. A juventude desempregada da periferia migra das gangues de tráficantes para mesquitas extremistas.

“O jihadista gângster é um indivíduo que vai quase naturalmente do mundo do crime para o jihadismo, às vezes como forma de redenção pelos pecados anteriores”, afirma um relatório do Globsec, um centro de estudos de Bratislava, na Eslováquia, que investiga o tema em 11 países europeus. Dois terços dos recrutas alemãos do Estado Islâmico, segundo o relatório, têm passado criminoso. Na Holanda, são 40%.

A ameaça está também presente na Belgica, na França e na Áustria. A experiência criminosa dos jihadistas da célula que organizou os atentados de Paris e Bruxelas em 2015 e 2016 ajudou a obter documentos falsos, armas e esconderijos. “Na França, estima-se que 60% dos radicais presos estarão de volta às redes terroristas infestadas de criminosos em 2020”, diz o relatório. O Globsec investigará em que medida o “jihadismo gângster” se disseminou dos países francófonos para o resto do continente.

Os piores países para ser jornalista

Desde 2015, tem caído o número de jornalistas mortos em serviço no mundo, segundo o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ). Foram 72 em 2015; 48 em 2016; 37 em 2017. Mas os presos atingiram um recorde. O censo do CPJ identificou este ano 262 pessoas atrás das grades por fazer jornalismo (eram 259 em 2016). Desses,134 em apenas três países: Turquia, China e Egito.

 

Países com maior número de jornalistas presos em 2017:

● Turquia: 73

● China: 41

● Egito: 20

● Eritreia: 15

● Vietnã: 10

● Azerbaijão: 10

● Uganda: 8 

● Arábia Saudita: 7

● Síria: 7

● Bahrein: 6

● Rússia: 5

● Congo: 5

● Etiópia: 5

● Irã: 5

 Fonte: Centro para a Proteção de Jornalistas (CPJ)

Fraude nos comentários sobre neutralidade

A FCC, agência reguladora das comunicações nos Estados Unidos, recebeu 22 milhões de comentários do público antes de acabar com a neutralidade de rede – princípio que veda a discriminação de tráfego na internet. O Pew Research Center detectou fraudes em 94% deles. O cientista de dados Jeff Kao descobriu que o mesmo texto, com pequenas alterações, foi usado 1,3 milhão de vezes contra a neutralidade. Ele achou menos de 800 mil comentários comprovadamente genuínos, 99% a favor da neutralidade. Houve comentários de mortos, de endereços provisórios e repetidos. Do exterior, veio 1,7 milhão – 445 mil, de endereços russos.

 

Omarosa, você está demitida!

A noite de terça-feira foi tensa na Casa Branca. Nada a ver com a derrota do repúblicano Roy Moore na eleição para o Senado no Alabama. O motivo foi a saída do governo de Omarosa Manigault – a vilã de O Aprendiz que assumira um cargo na gestão Donald Trump. Pelos relatos, ela bateu boca com o chefe da Casa Civil, John Kelly, soltou palavrões e foi preciso chamar a segurança para retirá-la do local. No dia seguinte, Omarosa negou ter sido demitida. Insinuou transformar em livro a experiência no governo.

Campeão londrino de boxe espera deportação

Enquanto a premiê Theresa May promete que o Brexit protegerá o Reino Unido dos ilegais, o boxeador Kelvin Fawaz, campeão londrino dos meio-pesados e representante britânico em seis competições, está preso e aguarda deportação para a Nigéria, sua terrra natal. Fawaz foi detido por deixar de se reportar ao ministério do Interior, cuja burocracia adia sua naturalização há onze anos.

A transparência radical de Wolfram

O matemático Stephen Wolfram, criador do software Mathematica e do sistema de busca Wolfram Alpha, adotou a transparência radical. Presidente há 30 anos da Wolfram Research, ele decidiu transmitir pela internet todas as reuniões sobre produtos da empresa. “Todos reclamam que nada acontece em reuniões”, diz ele. “Não é verdade nas minhas.” Quem quiser comprovar pode assistir às quase 40 horas que ele já publicou no Twitch.

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