AP/Andrew Harnik
AP/Andrew Harnik

A armadilha de Trump para a imprensa

Trump retuitou a cena de agressão a um menino de muletas na Holanda, atribuída falsamente a um imigrante muçulmano pela conta do vice-líder de um movimento de extrema direita britânico

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2017 | 05h00

Na semana em que a Coreia do Norte disparou um míssil com alcance para atingir Washington e em que sua reforma tributária enfrenta solavancos no Senado americano, Donald Trump conseguiu mais uma vez capturar a cobertura da imprensa usando sua arma favorita: o Twitter. E, mais uma vez, a imprensa caiu grasnando na armadilha.

+O ocaso de Angela Merkel

Trump retuitou a cena de agressão a um menino de muletas na Holanda, atribuída falsamente a um imigrante muçulmano pela conta do vice-líder de um movimento de extrema direita britânico. Bastou para desencadear o clássico ciclo de repercussão por programas matinais, redes sociais, canais fechados, sites marginais, programas noturnos e jornais. A onda gerou até atrito diplomático com Holanda e Reino Unido.

Quem ganha? Apenas Trump. Seus opositores se desgastam, seus partidários ficam eletrizados por escandalizar a elite e ninguém fala mais em reforma tributária ou da crise nuclear. “A verdade sobre Trump não é que ele seja louco. Ele é um narcisista e neurótico, com talento animal para atrair a atenção que almeja”, escreveu o colunista Bret Stephens. “Não dá bola para ser odiado, desde que saiba que pensam nele. Como prestar atenção sem lhe prestar homenagem? Dá para responder aos ultrajes dele sem ficarmos afogados nos nossos?”

Fim do mundo

80%

é a chance de Donald Trump apertar o botão nuclear durante seu mandato, segundo avaliação do psiquiatra John Gartner, um dos 27 autores do livro que fez um diagnóstico da saúde mental do presidente americano

A nova biografia de James Madison

O jurista Noah Feldman, de Harvard, acaba de publicar uma nova biografia de James Madison, artífice da Constituição americana, criador do presidencialismo e do sistema de freios e contrapesos imitado mundo afora (até mesmo no Brasil). Baixinho, introvertido, intelectual, Madison não exerce o mesmo fascínio que seu colaborador e rival Alexander Hamilton (cuja vida inspirou até musical na Broadway). Mas é um exemplo mais coerente na defesa dos ideais liberais que os americanos lutam para preservar.

São Paulo para inglês ver

O jornal britânico The Guardian publicou ao longo da semana uma série de reportagens dedicadas aos problemas urbanos de São Paulo – das ocupações de sem-teto à eternidade que moradores da periferia passam no transporte coletivo. A série faz criticas ao prefeito João Doria, comparado a Trump – embora todas as mazelas paulistanas sejam bem anteriores a seu governo.

+O thriller do quadro mais caro da história

Os verdadeiros programadores do Google

Os programadores responsáveis pelo código do Google não são Sergei Brin e Larry Page, mas dois desconhecidos: Urs Hözle e Jeff Dean. A história é revelada pelo chefe de desenvolvimento de software no começo do Google, Craig Silverstein, em I’m feeling lucky (Estou com sorte), livro de Douglas Edwards sobre os primórdios do Google. Silverstein não confiava no código de Page e Brin e mandou reprogramar toda a versão inicial do site.

A vergonha de Gay Talese em documentário

O Voyeur é uma mancha na carreira de um dos maiores repórteres da história, o americano Gay Talese. O livro narra a história de Gerald Foos, o dono de motel que instalou nos quartos uma abertura de ventilação por onde espiava os hóspedes. Talese esperou mais de 20 anos para revelar o conteúdo dos diários que Foos lhe confiara. Em dias, o jornalista Paul Farhi descobriu furos na narrativa, e Talese foi obrigado a renegá-la. O documentário que conta o caso entrou no ar sexta-feira na Netflix.

Elena Ferrante na TV e em novo romance

A série napolitana da escritora que publica sob o pseudônimo Elena Ferrante será filmada para a televisão, com roteiro desenvolvido com ajuda dela própria. Elena já trabalha num novo romance, revelou seu editor.

O panda que gostava de sexo

A preservação dos pandas sempre desafiou os cientistas, pois as fêmeas só são férteis dois ou três dias por ano. Uma reportagem do FiveThirtyEight afirma agora ter desvendado o segredo de Pan Pan, o espécime macho de que descendem pelo menos 130 dos 520 pandas em cativeiro no mundo. Morto na China, no final de 2016, aos 31 anos, Pan Pan apenas gostava demais de sex

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