Patrick Kovarik/AFP
Patrick Kovarik/AFP

A astúcia de Macron ao cortejar Trump

O francês quer ser o novo líder europeu e o americano, ser visto como um presidente normal

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2017 | 05h00

Há mais em comum entre Emmanuel Macron e Donald Trump que duas décadas e meia de idade – a menos e a mais, respectivamente – a separá-los das respectivas mulheres. Ambos ainda tateiam no cargo e, por motivos distintos, precisam estabelecer a personalidade dos próprios governos perante veteranos como Angela Merkel e Vladimir Putin. Macron oferece uma porta de entrada a interesses americanos na União Europeia, depois do isolamento a que Trump foi submetido na reunião do G-20. Quer ser o novo líder europeu. Trump quer ser visto como um presidente normal. Um encontro de interesses.

Trump Jr. combinou com os russos errados

Os e-mails de Donald Trump Jr. combinando o encontro para receber material comprometedor sobre Hillary Clinton são a primeira prova de elo da campanha eleitoral de Trump com russos – mas não com Putin. A advogada russa que Trump Jr. encontrou aparentemente só queria usá-lo para suspender restrições à movimentação de ativos congelados de oligarcas russos nos EUA. 

 

Mais protecionismo para o aço americano

Vem aí uma nova rodada de medidas de restrição às importações de aço nos EUA. Propostas pelo Departamento de Comércio, estão em avaliação pelo Departamento de Defesa e outras agências antes de entrar em vigor, informou o site jurídico Law360. Algo como 13% das exportações brasileiras para os EUA são de ferro e aço. Nossos laminados enfrentam desde a gestão Obama 39% de tarifa – e a situação promete piorar.

 

Sucesso no pacto nuclear com Irã

O acordo nuclear com o Irã foi uma bênção para Israel, diz Carmi Gillon, ex-chefe do Shin Bet, serviço secreto interno israelense. “A ameaça de uma arma nuclear iraniana é hoje mais remota do que em décadas”, escreveu na Foreign Policy. Mesmo ferrenhos opositores do acordo, como o premiê Bibi Netanyahu, já reconhecem o sucesso no desmonte das instalações iranianas.

O daltonismo em fotos

A fotógrafa belga Sanne De Wilde lança este mês The Island of the Colorblind, inspirado no livro e no documentário homônimos, A Ilha dos Daltônicos, do neurologista e escritor Oliver Sacks. Numa visita ao arquipélago de Pingelap, na Micronésia, onde um décimo da população é daltônica, ela usou técnicas de preto e branco e infravermelho para reproduzir em imagens o olhar local para as cores.

 

Toscanini no YouTube

O crítico David Denby dá uma dica na New Yorker: o engenheiro Paul Howard restaurou e deixou disponíveis no YouTube as principais gravações de Arturo Toscanini à frente da Sinfônica da NBC. Em nova biografia, Harvey Sachs percorre a carreira longeva de Toscanini, da estreia improvisada em 1886, conduzindo Aída aos 19 anos no Rio de Janeiro, até a consagração como o regente temperamental que quebrava batutas e exigia ser chamado de “maestro”. Célebre por recusar-se a reger tanto na Itália sob Mussolini quanto na Alemanha sob Hitler, Toscanini foi criticado por desprezar as inovações dodecafônicas de seu tempo e tentar popularizar os clássicos no rádio e na TV. “Foi o herói mais inspirador e digno do nosso tempo, mais que Einstein, mais até que o sobre-humano Winston”, disse sobre ele o filósofo Isaiah Berlin.

Expurgos: Números da Turquia após a tentativa de golpe em 2016

 

Exército

Foram demitidos ou presos 119 generais e 2.502 oficiais

 

Imprensa

269 jornalistas foram presos

 

Educação

8.271 acadêmicos demitidos e 2.099 escolas ou universidades fechadas

 

Judiciário

4.424 magistrados demitidos

 

Estado

138.148 funcionários públicos demitidos

FRASE

“A realidade política, que qualquer um pode ver, é que a China tem muitas leis, mas não vive sob o império da lei; tem uma Constituição, mas não um governo constitucional” 

Liu Xiabo, NOBEL DA PAZ, NA CARTA 08, ASSINADA COM OUTROS 302 DISSIDENTES, EM 2008. PRESO E SEM TRATAMENTO ADEQUADO, LIU MORREU DE CÂNCER NA SEMANA PASSADA

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