REUTERS/Larry Downing
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A bomba-relógio da previdência americana

Na média, os gastos com aposentadorias correspondem a 4,3% das receitas dos Estados americanos

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2017 | 05h00

A Previdência está em crise também nos Estados Unidos. A maioria dos Estados e municípios adota um sistema semelhante ao brasileiro: o benefício do aposentado é definido pelo tempo de contribuição, não pelo valor poupado ao longo da vida. Sistemas de “benefício definido” como esse só são solventes enquanto as contribuições dos jovens superam as aposentadorias recebidas pelos mais velhos. O envelhecimento populacional os torna impraticáveis. Na média, os gastos com aposentadorias correspondem a 4,3% das receitas dos Estados americanos. Em alguns, como New Jersey, Connecticut e Illinois, se aproximam de 15% – no Brasil, são 20%. O governo de lá estima o rombo total das previdências estaduais e municipais em US$ 1,4 trilhão. Mas esse valor está subestimado, segundo análise do American Enterprise Institute (AEI). Se os ativos estaduais forem avaliados a preços de mercado, o déficit total vai a US$ 5 trilhões e a arrecadação cobriria apenas 39% dos gastos. Lá, como aqui, a única alternativa duradoura é uma reforma que adote o sistema de “contribuição definida”, em que cada um dispõe de uma conta semelhante à do FGTS ou à de um plano de previdência privada, onde poupa para sacar mensalmente depois da aposentadoria. Aqui, essa ideia foi rejeitada sem debate na Comissão Especial da Câmara.

A reforma trabalhista avança na França

O presidente francês, Emmanuel Macron, foi autorizado pelo Senado, por 225 votos a 109, a reformular a legislação trabalhista por meio de ordens executivas. A medida dará agilidade às mudanças necessárias para trazer mais flexibilidade ao mercado de trabalho e reduzir o desemprego.

Asiáticos contra a ação afirmativa

Ao autorizar ações afirmativas em 1978, como forma de ampliar a diversidade dos alunos nas universidades americanas, a Suprema Corte proibiu as cotas, por julgá-las discriminatórias. Em 2015 e 2016, a Coalizão Asiático-Americana para a Educação processou três universidades – Yale, Brown e Dartmouth – alegando que, na prática, elas usam cotas desde 1994. “Asiáticos têm de obter em média 140 pontos a mais que brancos, 270 pontos a mais que hispânicos e 450 a mais que negros no teste padrão de admissão”, diz a ação. Os processos ganharam relevo com a decisão do secretário da Justiça, Jeff Sessions, de combater o uso de critérios raciais nas universidades. 

Pressão laica sobre ensino religioso em Londres 

O escritório britânico de padrões educacionais ameaça fechar a escola judaica ortodoxa Vishnitz, para meninas no nordeste de Londres, por não “ensinar explicitamente sobre questões como orientação sexual”. “Isso restringe o desenvolvimento espiritual, moral, social e cultural e não promove igualdade de oportunidades”, afirma o relatório dos inspetores de ensino.

O silêncio de Corbyn sobre a Venezuela

Revelador o silêncio do líder trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, sobre o avanço da ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela. Em 2014, na televisão, ele telefonou a Maduro para cumprimentá-lo como sucessor de Hugo Chávez. “Chávez nos mostrou que há um modo diferente e melhor de fazer as coisas. É chamado socialismo”, disse numa homenagem. Considerava a Venezuela “inspiração para todos nós, que lutamos contra a austeridade e a política econômica neoliberal na Europa”. Hoje, quatro em cada cinco famílias venezuelanas não têm dinheiro para comer.

A ambição mais alta de Frank Lloyd Wright

Vai até o início de outubro no MoMA, em Nova York, a exposição dedicada ao arquiteto Frank Lloyd Wright. Ela se beneficia dos arquivos que a Universidade Columbia herdou em 2012 da Fundação Lloyd Wright, que atravessava uma crise para manter as montanhas de documentos em suas sedes no Wisconsin e no Arizona. Concentra-se em 12 projetos, a maioria jamais executados. Um, do pós-guerra, planejava erguer o prédio mais alto do mundo. 

 

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