A inspiração de Ronald Reagan

Donald Trump deveria buscar inspiração no Reagan de 1986, não no de 1981

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2017 | 08h19

Por cortar impostos para cidadãos e empresas, Donald Trump tem sido comparado a Ronald Reagan nos anos 1980. Mas Reagan fez duas reformas tributárias. A primeira, em 1981, foi um fracasso. Aumentou o déficit público e obrigou o governo a subir impostos já no ano seguinte. Só em 1986, graças a uma negociação bipartidária, foi aprovada uma lei que reduziu taxas com contrapartidas de cortes de gastos, sem impacto na dívida pública.

A reforma de Trump aprovada na semana passada não fala em cortes de gastos. A intenção implícita é negociá-los a partir do ano que vem. Trump prometeu não mexer em áreas como saúde e programas sociais. Mas é uma incógnita como reduzirá o impacto do buraco fiscal de US$ 1,5 trilhão, previsto em dez anos, sobre uma dívida que, sem isso, já chegaria sozinha a US$ 25 trilhões. Deveria buscar inspiração no Reagan de 1986, não no de 1981.

O agrado de Obama ao Hezbollah

O Projeto Cassandra, uma iniciativa da agência antidrogas americana, foi lançado em 2008 para desbaratar uma rede de narcotráfico ligada ao grupo xiita libanês Hezbollah. Depois de anos de investigação, desvendou em 2011 um esquema de lavagem de US$ 483 milhões, diz uma reportagem na revista Politico. Mas o Departamento de Justiça negou autorização para congelar ativos e prender os acusados. O motivo, diz o relato, era fazer um aceno ao Irã, patrocinador do Hezbollah, com quem o governo Obama tinha interesse em fechar um acordo nuclear. Um representante do grupo afirmou que a venda de drogas não é permitida pela religião muçulmana e a acusação “é parte de uma campanha para distorcer a imagem do Hezbollah como movimento de resistência aos israelenses”.

A asfixia do jihadismo digital

Um adolescente de 18 anos e um jovem de 31, ambos presos na semana passada em Roubaix, na França, eram responsáveis por “mais da metade da propaganda francófona do Estado Islâmico (EI) no aplicativo Telegram”, segundo informou a polícia francesa. Os dois disseminavam vídeos de execuções e incitavam atentados. Foi apenas o último baque na rede digital do EI. A derrota na Síria e no Iraque desmantelou estruturas de produção e reduziu drasticamente o conteúdo disseminado pelos terroristas, revela um levantamento do BBC Monitoring.

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