Abdullah rejeita confirmação de Karzai como presidente eleito

Opositor descarta participar do novo governo e acredita que equipe não resolverá principais problemas afegãos

Reuters, Efe e Associated Press,

04 Novembro 2009 | 13h09

O candidato de oposição à presidência do Afeganistão, o ex-ministro de Exteriores Abdullah Abdullah, considerou nesta quarta-feira, 4, "ilegal" a decisão da Comissão Eleitoral Independente de proclamar Hamid Karzai como vencedor das eleições e descartou a possibilidade de se juntar a seu governo.

 

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O ex-ministro de Exteriores, em seu primeiro comparecimento público desde que Karzai renovou seu mandato, disse que se integrar ao Executivo do presidente "não é uma opção". Perguntado sobre que papel desempenhará agora no cenário político afegão, Abdullah disse que agirá como "grupo de pressão" para tentar trazer mudanças ao Afeganistão, mas não esclareceu se pretende formar um partido.

 

"O governo não pode trazer legitimidade, não pode lutar contra a corrupção. O governo não lidará com todos os problemas, especialmente com a ameaça do terrorismo, questões de segurança, pobreza, desemprego e outras coisas", criticou Abdullah. "O processo eleitoral se completou com uma decisão final ilegal", completou.

 

O opositor insistiu em que a Comissão Eleitoral "não é um órgão legal", por isso a proclamação de Karzai como presidente na segunda-feira também não é. "Não aceito esta decisão", reiterou Abdullah, que negou ter previsto ir aos tribunais, já que estes também não são independentes, segundo ele. Sobre a legitimidade do novo governo, Abdullah respondeu afirmou que deixará "que o povo afegão julgue sobre isso".

 

A Comissão Eleitoral declarou Karzai presidente na segunda-feira, apenas algumas horas depois de Abdullah anunciar a retirada de sua candidatura para o segundo turno das eleições presidenciais, prevista para o dia 7 e já desconvocada.

 

No primeiro turno, Karzai tinha conseguido 49,67% do apoio, depois que centenas de milhares de votos foram cancelados por fraude. Para justificar seu abandono, Abdullah tinha denunciado que a maquinaria da fraude continuava intacta diante do segundo turno.

 

Novo governo

 

Um porta-voz da administração de Karzai informou que alguns tecnocratas e alguns ministros antigos serão incluídos no novo governo e que a equipe que governará o Afeganistão deve estar formada em três semanas.

 

"O governo que o presidente tem em mente terá lugar especial para especialistas, pessoas profissionais e educadas", disse o porta-voz de Karzai, Siyamak Herawi. "Terá novas figuras e alguns antigos ministros que se saíram bem", acrescentou.

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