Abstenção do País sobre Irã é coerente, diz historiador

A postura brasileira de se abster de votar a moção de censura movida contra o Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) é coerente com o posicionamento histórico do Itamaraty e não haveria motivo para mudar de posição agora. A opinião é do historiador Amado Luiz Cervo, professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB).

RICARDO GOZZI, Agencia Estado

27 Novembro 2009 | 12h56

"Desde os anos 1960 o Brasil teve uma postura coerente sobre o assunto: a de que os países em desenvolvimento têm o direito de buscar a energia nuclear com fins pacíficos, com o objetivo de galgar um estágio tecnológico mais avançado", explicou o cientista político em entrevista à Agência Estado. "Trata-se de uma posição histórica, e não há motivo para o Brasil abandoná-la agora", prosseguiu. "Essa postura foi inclusive reforçada pelo Lula na visita do Ahmadinejad ao Brasil."

No início desta semana, ao receber o chefe de governo iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu o direito de Teerã de "desenvolver energia nuclear para fins pacíficos e com pleno respeito aos acordos internacionais".

Hoje, em Viena, Brasil, Afeganistão, Egito, Paquistão, África do Sul e Turquia se abstiveram de votar uma resolução por meio da qual o Irã foi censurado por seu programa nuclear. Do grupo de 35 países da atual Junta de Governadores da AIEA, 25 concordaram com a resolução, segundo diplomatas. Três países votaram contra o texto: Venezuela, Malásia e Cuba.

Os Estados Unidos e alguns de seus aliados suspeitam que o Irã desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. Teerã nega e sustenta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades pacíficas, estando de acordo com as normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, do qual é signatário.

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