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Acordo fracassa, mas EUA e Rússia planejam manter diálogo sobre Ucrânia

Andrei Netto, Enviado Especial / Simferopol, Ucrânia -O Estado de S. Paulo

05 Março 2014 | 19h 11

Em Paris, único entendimento entre chanceler russo, Serguei Lavrov, e americano, John Kerry, é continuar as negociações na quinta-feira em Roma

(Atualizada às 23h15) SIMFEROPOL, UCRÂNIA - Reunidos em Paris, chanceleres de EUA, França, Grã-Bretanha, Alemanha e Rússia discutiram na quarta-feira, 5, uma saída para a crise na Crimeia. O esforço diplomático terminou sem acordo, mas continua na quinta-feira com uma reunião em Roma entre o secretário de Estado americano, John Kerry, e o chanceler russo, Serguei Lavrov.

O chanceler russo deixou Paris sem falar com seu colega ucraniano, Andriy Dechtchitsa, que esteve na capital francesa, apesar dos apelos de Kerry. "Houve acordo para continuarmos as discussões. Surgiram propostas criativas para resolver a crise, temos um certo número de ideias sobre a mesa", disse o secretário de Estado dos EUA, que confirmou o encontro de hoje em Roma.

Sobre a mesa de Lavrov foram colocadas cinco exigências: formação de um governo de união nacional, retirada das tropas russas, dissolução de milícias extremistas, restabelecimento da Constituição de 2004 e realização de eleições presidenciais.

O principal ponto de divergência, no entanto, é o fato de a Rússia não reconhecer oficialmente a presença de seus soldados na Crimeia. Segundo Lavrov, tratam-se de "forças pró-Rússia de autodefesa", sobre as quais Moscou não tem autoridade. "Elas não recebem nenhuma ordem nossa", disse.

Enquanto isso, tropas russas continuaram a avançar na Ucrânia. Segundo Kiev, a base de lançamento de mísseis de Evpatoria teria sido ocupada pelos russos. Em Donetsk, prédios públicos voltaram a ser ocupados por manifestantes, que retiraram a bandeira ucraniana e a substituíram pela russa.

Para aumentar a pressão sobre o Kremlin, a Otan decidiu ontem se aproximar da Ucrânia e rever sua cooperação com Moscou. "Não faremos mais encontros de alto nível, nenhuma reunião civil ou militar com os russos. Ao mesmo tempo, intensificaremos o envolvimento com líderes militares e civis da Ucrânia", disse o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen.

As primeiras sanções concretas contra a Rússia podem vir do Congresso dos EUA. Deputados prometeram votar a questão na quinta-feira, 6. As sanções afetariam altos funcionários do governo, bancos estatais, empresas e indivíduos envolvidos com a intervenção russa.

Ajuda

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, anunciou na quarta-feira que UE enviará US$ 15 bilhões em ajuda financeira à Ucrânia nos próximos dois anos. A ajuda ainda depende de um acordo do país com o FMI. O valor se soma a outro US$ 1 bilhão anunciado por Washington, mas ainda é pouco diante dos US$ 35 bilhões que Kiev diz precisar para evitar o colapso da economia.

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