AP Photo
AP Photo

Acusados de estuprar criança muçulmana de oito anos, hindus se declaram inocentes na Índia

Oito homens se apresentaram diante de um tribunal pela primeira vez; vítima foi violentada, estrangulada e espancada até a morte

O Estado de S.Paulo

16 Abril 2018 | 09h38

NOVA DÉLIH - Os oito homens acusados pelo estupro e assassinato de uma garota de oito anos de idade, na Índia, se declararam inocentes em sua primeira aparição diante de um tribunal, nesta segunda-feira, 16. Os acusados são hindus e vítima era muçulmana. A menina desapareceu enquanta pastava os pôneis de sua família e seu corpo foi encontrado numa floresta em janeiro, uma semana depois.

De acordo com a polícia, os homens planejaram o sequestro por mais de um mês, como parte de um plano para assustar a tribo da garota e fazer com que se mudassem da área, no estado de Jammu e Caxemira. Os policiais ainda afirmam que a criança foi sedada e mantida em cativeiro dentro de um templo hindu, onde foi estuprada repetidas vezes, antes de ser estrangulada e espancada até a morte.

O tribunal, nesta segunda, instruiu os investigadores para se certificarem de que os acusados tinham cópias de todas as acusações que enfrentam antes da próxima audiência, no dia 26 de abril. O caso gerou protestos em toda a Índia e atingiu destaque nacional nas notícias, quando milhares de membros do grupo radical Hindu Ekta Manch, ou a Plataforma da Unidade Hindu, marchou em apoio aos oito homens acusados.

+ Índia reduz número de casamentos infantis

Centenas de advogados da associação local também tentaram impedir a polícia de entrar no complexo judicial para que apresentassem sua investigação ao júri, e disseram que todos os acusados são inocentes. Seis homens, incluindo dois policiais, são acusados de estarem diretamente envolvidos nos ataques à criança e um deles fez parte da equipe de buscas pelo corpo. Outros dois foram presos por tentativa de destruir provas.

Ao menos dois legisladores do principal partido hindu da Índia, o nacionalista Bharatiya Janata (BPJ), também se manifestaram em apoio aos acusados. O caso destaca a crescente polarização religiosa na Índia desde que o BJP chegou ao poder em 2014. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.