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Internacional

Estados Unidos

Adversários e aliados reagem ao anúncio de teste nuclear da Coreia do Norte

EUA, Japão e Coreia do Sul condenam medida e prometem punições ao país comunista; aliada de Pyongyang, China reprova teste e pede a Kim Jong-un que evite ações 'que piorem a situação'

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O Estado de S. Paulo

06 Janeiro 2016 | 10h49

SEUL - Adversários e aliados do governo comunista da Coreia do Norte se manifestaram nesta quarta-feira, 6, depois de Pyongyang anunciar que fez um teste com uma bomba de hidrogênio - um tipo mais poderoso de bomba atômica. Enquanto Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão, entre outros, condenaram o teste, pediram uma reunião do Conselho de Segurança da ONU e prometeram punições ao país comunista, a Rússia pediu calma. A China, tradicional aliada da Coreia do Norte, também reprovou o teste.

Os Estados Unidos reiteraram que condenam qualquer violação das resoluções da ONU e disseram que responderão "apropriadamente" a todas as "provocações" do país asiático, informou a Casa Branca.

"Continuaremos protegendo e defendendo nossos aliados na região, entre eles a República da Coreia (Coreia do Sul), e responderemos apropriadamente a todas as provocações da Coreia do Norte", disse o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby.

Kirby assegurou que, por enquanto, os Estados Unidos não puderam confirmar o anúncio norte-coreano, mas lembrou que Washington "condena qualquer violação" das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Os Estados Unidos reiteraram que condenam qualquer violação das resoluções da ONU e disseram que responderão "apropriadamente" a todas as "provocações" do país asiático, informou a Casa Branca.
 
"Continuaremos protegendo e defendendo nossos aliados na região, entre eles a República da Coreia (Coreia do Sul), e responderemos apropriadamente a todas as provocações da Coreia do Norte", disse o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby.
 
Kirby assegurou que, por enquanto, os Estados Unidos não puderam confirmar o anúncio norte-coreano, mas lembrou que Washington "condena qualquer violação" das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Já a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, disse que o pais vai tomar medidas firmes contra qualquer provocação adicional da Coreia do Norte e trabalhar com a comunidade internacional para garantir que o país isolado pague o preço por seu mais recente teste nuclear.

Em declarações divulgadas pelo gabinete presidencial sul-coreano, Park disse que o novo teste pode mudar a natureza fundamental da situação sobre o programa nuclear da Coreia do Norte. 

As Forças Armadas sul-coreanas, que mantêm uma aliança com as dos EUA para situações de contingência na península de Coreia, elevaram o nível de alerta das tropas e aumentaram o monitoramento do país vizinho após a detonação nuclear.

Em Tóquio, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, condenou "energicamente" o teste nuclear da Coreia do Norte e garantiu que o Japão oferecerá uma "firme resposta" perante o que considera uma "grave ameaça" para sua segurança. "O teste nuclear da Coreia do Norte é uma grave ameaça para a segurança de nosso país. Não podemos tolerar isso de nenhuma maneira", declarou o chefe do Executivo japonês em entrevista coletiva.

"(O teste) viola claramente as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e é um grave desafio contra as medidas que estamos levando a cabo para conseguir a desnuclearização mundial", disse o premiê japonês.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, também condenou em nota divulgada nesta quarta-feira a suposta realização de um teste nuclear pelo regime norte-coreano. 

"Condeno o continuado desenvolvimento pela Coreia do Norte dos programas de armas nucleares e mísseis balísticos, além de sua inflamatória e ameaçadora retórica", disse Stoltenberg. Ele também pediu que Pyongyang "respeite totalmente suas obrigações e compromissos internacionais".

Europa. O presidente francês, François Hollande, condenou nesta quarta e tachou de "inaceitável" o teste nuclear da Coreia do Norte com uma bomba de hidrogêni e reivindicou "uma reação forte da comunidade internacional".

"A França condena esta violação inaceitável das resoluções do Conselho de Segurança" da ONU em espera da "confirmação das características do teste nuclear anunciado e observado", destacou a presidência francesa em comunicado.

Em Berlim, o governo da Alemanha disse que convocará o embaixador norte-coreano no país para pedir explicações sobre o teste anunciado por Pyongyang. "Por esta razão (o anuncio do teste), está planejado que o embaixador seja convocado pelo Ministro de Relações Exteriores", afirmou o porta-voz da chancelaria alemã, Martin Schaefer.

Schaefer também afirmou que a medida de seu governo era um "forte sinal, até mesmo um protesto" contra o teste norte-coreano.

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Philip Hammond, disse que se for confirmada, a detonação de uma bomba nuclear pela Coreia do Norte abriria brechas para novas resoluções do CS da ONU impondo sanções a Pyongyang.

Hammond também condenou o anúncio feito pelos norte coreanos que, na sua opinião, revela a "ameaça muito real que a Coreia do Norte representa para a segurança internacional e regional". O chanceler britânico, que está visitando a China, informou em nota que discutiu a questão com seu colega chinês, Yang Jiechi.

Comunistas. A China, que é aliada de Pyongyang, reprovou nesta quarta-feira o teste nuclear norte-coreano e pediu ao regime de Kim Jong-un que evite ações "que piorem a situação" e mantenha seu compromisso com a "desnuclearização da península coreana".

"O governo chinês se opõe formalmente" ao teste que foi realizado "apesar da oposição da comunidade internacional", afirmou uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hua Chunying, em entrevista coletiva.

A Rússia, que também mantém boas relações com a Coreia do Norte, pediu calma a todas as partes envolvidas no conflito entre as duas Coreias, mas advertiu que, caso o teste seja confirmado, será uma grave violação das resoluções da ONU.

"Nesta situação pedimos a todas as partes que mantenham a calma e não tomem ações que possam provocar uma incontrolada escalada de tensão na Ásia", advertiu a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova.

Se o teste com a bomba H for confirmado, acrescentou a porta-voz, Pyongyang terá dado outro passo no desenvolvimento de seu arsenal nuclear, ato que será qualificado como uma grave violação do direito internacional e das resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

A Rússia está analisando cuidadosamente o anúncio feito hoje pela Coreia do Norte e os dados técnicos para confirmar sua veracidade. / EFE, REUTERS e AFP

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