Victor J. Blue/The New York Times
Victor J. Blue/The New York Times

Após ataque a hospital, Médicos sem Fronteiras deixa cidade afegã

Organização diz não ter como atuar no que sobrou em Kunduz; mortos sobem para 22

O Estado de S. Paulo

04 Outubro 2015 | 12h41

Atualizado às 20h11

CABUL - A organização humanitária Médicos sem Fronteiras (MSF) afirmou neste domingo que vai deixar a cidade de Kunduz, no Afeganistão, um dia após o hospital administrado pela organização na cidade ser destruído por um bombardeio que, segundo indícios, foi conduzido pelos Estados Unidos.

A MSF também afirmou que o número de mortos no ataque de sábado aumentou para 22 depois da morte de três pacientes que permaneciam em estado grave. Ao todo, 10 pacientes e 12 funcionários da organização morreram no ataque, que deixou outras 37 pessoas feridas.

“Não é possível manter qualquer atividade médica no hospital da MSF em Kunduz em um momento em que as necessidades médicas (no local) são imensas”, disse Tim Shenk, porta-voz da organização em Nova York. Em sua conta no Twitter, a MSF pediu uma investigação independente sobre o bombardeio “sob a clara presunção de que um crime de guerra foi cometido”.

“Nenhum membro da nossa organização tem relatos de combates dentro do complexo hospitalar antes do bombardeio dos EUA na madrugada de sábado”, disse a MSF. “O hospital foi repetidamente e precisamente atingido em cada um dos ataques aéreos.”

Em nota divulgada neste domingo, o Pentágono disse que a investigação do caso, subordinada ao quartel-general militar da Otan no Afeganistão, será concluída em “questão de dias”. As forças armadas dos EUA também abriram uma “investigação formal para conduzir um inquérito rigoroso e abrangente”. O governo afegão também prometeu investigar o ataque aéreo.

Comando. O Pentágono afirmou neste domingo que o ataque dos EUA tinha como alvo insurgentes que estariam atirando contra militares americanos que aconselhavam as forças de segurança do Afeganistão em Kunduz e reconheceu que o bombardeio foi conduzido “nas proximidades” do hospital.

Moradores de Kunduz entrevistados por telefone disseram que vários corpos de pessoas mortas nos combates em Kunduz continuam nas ruas porque não há nenhuma instalação hospitalar para onde levá-los.

A cidade foi dominada pelos insurgentes do Taleban na semana passada e, apesar das operações conduzidas pelas autoridades desde quinta-feira, houve pouco progresso para retomá-la. 

No momento, é difícil confirmar qualquer relato de incidentes em Kunduz porque a eletricidade foi limitada na cidade e as pessoas têm dificuldades para recarregar seus telefones, especialmente os que não têm geradores.

“A situação é muito, muito ruim, tão ruim que as pessoas não conseguem nem imaginar”, afirmou Fazel Ahmad. Segundo Ahmad, 25 famílias moravam na sua rua, mas agora só restou uma, além da sua, na região. / NYT

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