AP/Marcio Jose Sanchez
AP/Marcio Jose Sanchez

Afegão é recebido com festa nos EUA após temer ser barrado

Amin, que foi tradutor de militar americano, temia ser hostilizado após decreto de Trump por ser imigrante e muçulmano

Julie Watson e Marcio Sanchez, ASSOCIATED PRESS, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2017 | 19h11

SÃO FRANCISCO, EUA - O tradutor afegão Qismat Amin foi afetuosamente recebido ao chegar ao Aeroporto Internacional de San Francisco e foi perdendo o medo inicial ao ser recepcionado por americanos segurando cartazes “bem-vindo à América” e “bem-vindo ao lar”. Ele temia não ser bem recebido após a ordem executiva do presidente Donald Trump e pelo fato de ser imigrante e muçulmano.

Ao vê-lo, o capitão do Exército Matthew Ball gritou “Qismat” e correu para dar um abraço em seu antigo tradutor, encerrando uma longa batalha para conseguir trazer o amigo para os EUA. Amin esperou quatro anos para conseguir o visto especial de imigrante para os EUA. Ele viveu escondido após receber ameaças de morte de militantes do movimento Taleban por ter ajudado as forças americanas.

Seu visto chegou dois dias depois de o presidente Trump vetar temporariamente a entrada nos EUA de refugiados e cidadãos de sete países de maioria islâmica. O Afeganistão não está entre os países afetados, mas funcionários americanos disseram que a lista poderia ser ampliada.

Ball pagou US$ 1 mil em uma passagem de Cabul a San Francisco para levar Amin o quanto antes aos Estados Unidos. “Estou muito feliz”, disse Ball à agência Associated Press após receber Amin. “Foram muitos anos.”

“Eu não sei o que dizer, esqueci as palavras”, declarou Amin. “Estou me sentindo muito mais forte após ver as pessoas com os cartazes de boas-vindas. Sinto como se tivesse ganhado uma grande família. Uma família maior do que eu esperava.”

Ball, estudante de direito na Universidade Stanford, liderou uma campanha com a ajuda de seus colegas, muitos deles veteranos, para pressionar o Congresso e descobrir por que havia tanta demora para Amin conseguir o visto.

Segundo o Departamento de Estado, mais de 13 mil afegãos e suas famílias esperam para obter o visto especial por ajudar os EUA no Afeganistão. Ball disse que Amin o protegeu durante a missão de mais de um ano em um dos locais mais perigosos do Afeganistão. O capitão da reserva afirma que agora está feliz em conseguir devolver o favor e ajudar Amin a ficar seguro. Ball disse que agora sua casa em Palo Alto será o novo lar do afegão.

 

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