Timothy Clary / AFP
Timothy Clary / AFP

Agências de refugiados dos EUA reduzem operação após Trump diminuir programa

Segundo o departamento, em virtude da redução na quantidade de refugiados - do teto de 110 mil criado pelo governo do ex-presidente Barack Obama para os 45 mil de 2018-, o país não precisa mais de todos os 324 escritórios de reassentamento

O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 12h32

WASHINGTON - Agências de reassentamento de refugiados nos Estados Unidos estão se preparando para fechar mais de 20 escritórios e limitar operações em mais de 40 outros em virtude de uma redução de sua atuação determinada pelo Departamento de Estado. As diretrizes foram obtidas pela agência Reuters e publicadas nesta quarta-feira, 14. 

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Os fechamentos estão sendo analisados pelo Departamento de Estado para uma aprovação final. A redução do programa ocorre na esteira da decisão do presidente Donald Trump de diminuir significativamente o número de refugiados que terão permissão de entrar no país em 2018.

Segundo o departamento, em virtude da redução na quantidade de refugiados - do teto de 110 mil criado pelo governo do ex-presidente Barack Obama para os 45 mil de 2018-, o país não precisa mais de todos os 324 escritórios de reassentamento que funcionavam no final de 2017. O limite para a entrada de refugiados nos Estados Unidos este ano é o mais baixo desde 1980.

Os escritórios, administrados por agências sem fins lucrativos que prestam serviço ao governo dos EUA, proporcionam uma variedade de serviços aos refugiados, como ajudá-los a encontrar casas e empregos e lidar com bancos, assistência de saúde, inscrição em escolas e outras complexidades da vida na nova nação. Opositores do programa de reassentamento dizem que é mais caro reassentar refugiados nos EUA do que dar ajuda a pessoas deslocadas no exterior.

“As mudanças consolidarão filiadas menores, reduzirão os gastos e simplificarão as estruturas de administração para ajudar o Programa de Admissão de Refugiados dos EUA a funcionar de uma maneira fiscalmente responsável e sustentável no longo prazo”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Cheryl Harris, por email.

Os refugiados podem acessar serviços dos centros de reassentamento durante até cinco anos depois de sua chegada, por isso os fechamentos podem afetar milhares de recém-chegados, alertou Robert Carey, que dirigiu o Escritório de Reassentamento de Refugiados do governo Obama.

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“A população não vai embora quando você fecha a torneira”, afirmou Carey. “Se a intenção realmente é fazer as pessoas se integrarem à sociedade, fazer isso vai de encontro a essa intenção”.

O governo Trump tem dito que quer que os refugiados sejam assimilados rapidamente, tanto para promover a segurança nacional quanto para que se tornem autossuficientes. / REUTERS

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