EFE/ Anthony Wallace
EFE/ Anthony Wallace

Alemanha acusa a China de espioná-la no Linkedin

Agentes entravam em contatos com executivos e políticos em rede social

O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2017 | 05h00

Um relatório divulgado pelo governo alemão indica que redes sociais voltadas para contatos profissionais tornaram-se uma nova ferramenta para espionagem chinesa. Agentes instruídos por autoridades chinesas, segundo o Escritório Federal para a Constituição (BfV na sigla em alemão), se fizeram passar por headhunters e contactaram executivos e políticos alemães. Mais de 10 mil pessoas foram afetadas por esse tipo de ciberespionagem.

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O governo chinês, por meio do Ministério de Relações Exteriores, disse que o relatório tem base em boatos e carece de fundamentos. “Pedimos que o governo alemão aja com mais responsabilidades”, disse o porta-voz Lu Kang. 

A investigação alemã deve aumentar temores de potências ocidentais sobre esforços chineses para espionar empresas e governos e obter vantagens competitivas em temas econômicos e geopolíticos. Os Estados Unidos acusaram a China de espionagem econômiuca e a Austrália debate leis para ampliar a proteção contra influência externa em meio a relatos de que chineses têm influenciados discussões em universidades e até mesmo em eleições. 

Segundo a investigação alemã, os agentes chineses criaram profis falsos em redes como o Linkedin para reunir informações e cultivar fontes no país. Os agentes se aproximavam dos alvos oferecendo contatos profissionais na China. 

Os agentes usavam nomes fictícios em diversas redes sociais, alguns deles, com fotografias falsas e nomes de empresas que não existem. Depois de estabelecido o contato, vinha a oferta de trabalho em troca de informações. Em sequência, convites para ir à China, que nunca se realizavam.  “É um amplo esforço para se infiltrar em círculos políticos como o Parlamento, ministérios e escritórios”, disse Hans-Georg Maassen, presidente da BfV.

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Para Adam Segal, especialista em cibersegurança no Council on Foreign Relations, a investigação deve ampliar o ceticismo sobre ações chinesas no Ocidente. “Dado o cuidado com que o governo chinês trata ameaças internas é provável que queira controlar as externas da mesma forma”, disse. 

O Linkedin disse na segunda-feira que excluiria as contas identificadas como espiãs, mas não deu um número de quantas elas seriam. A empresa conduz uma investigação interna sobre o caso. “A segurança da nossa plataforma é nossa principal prioridade”, disse o porta-voz dfo Linkedin Billy  Huang. A rede social é uma das poucas a operar na China e tem relações próximas com o governo chinês.  / REUTERS e EFE

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