Alemanha pretende modificar convênio nuclear com Brasil

O governo alemão está trabalhando para modificar o tratado de cooperação nuclear firmado com o Brasil há 30 anos, informaram fontes do Partido Verde, sócio minoritário da coligação governamental. Dezoito organizações de defesa da ecologia, entre elas o Greenpeace, exigiram conjuntamente nesta segunda-feira que o governo de Gerhard Schroeder rescinda o convênio de cooperação em vista dos planos anunciados pelo executivo brasileiro de construir quatro novas centrais atômicas na Amazônia. Reinhard Buetikofer, um dos presidentes do partido Verde, disse que o governo não pretende rescindir o programa nuclear de maneira unilateral. "É uma intenção comum, continuar desenvolvendo e modificando o tratado em acordo com a parte brasileira", disse Buetikofer. Segundo o diário financeiro Handelsblatt, os ministérios alemães do Meio Ambiente e das Relações Exteriores já estão trabalhando em uma proposta de modificação do tratado. No entanto, o jornal assegura que o ministério da Economia e o setor industrial têm objeções. Menos energia nuclear O governo de social-democratas e verdes da Alemanha começou em 2001 a fechar progressivamente suas 19 centrais nucleares com o objetivo de priorizar as fontes renováveis. No entanto, a Alemanha mantém com o Brasil um convênio bilateral de cooperação nuclear que prevê a construção conjunta de oito centrais, uma fábrica de reatores, uma planta de reprocessamento, assim como a exploração, extração e comercialização de urânio no Brasil. Só um projeto se concretizou, Angra II, que começou a operar em 2000 depois de 25 anos de obras. Em três semanas vence um prazo de que dispõem os dois países para a cada cinco anos decidirem se rescindem o acordo.

Agencia Estado,

25 Outubro 2004 | 13h42

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