AP Photo/Christian Bruna
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Alemanha registra queda de 66% no número de pedidos de asilo

Em março, 20 mil pessoas foram cadastradas, 100 mil a menos do que o registrado em dezembro. Em 2015, 1,1 milhão de solicitantes de asilo chegaram ao território alemão

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

08 Abril 2016 | 10h21

PARIS - A pressão da Europa para fechar as maiores rotas de imigração, contra a vontade da ONU e de organizações não governamentais, está surtindo efeitos. A Alemanha, maior destino de refugiados e imigrantes econômicos que fizeram o trajeto entre Síria, Iraque, Afeganistão ou Paquistão, cruzando o continente, registrou uma baixa de 66% no número de pedidos de asilo e refúgio político em março.

Além disso, a queda é constante: foram 120 mil pedidos em dezembro, 90 mil em janeiro, 60 mil em fevereiro e 20 mil no mês passado – um sinal de que este ano pode não ser igual a 2015.

No ano passado, 1,1 milhão de migrantes econômicos, asilados e refugiados chegaram ao país, o mais solicitado pelas multidões que cruzaram Turquia, Grécia, Macedônia, Sérvia, Croácia, Hungria, Eslovênia e Áustria para chegar ao território alemão ou aos países da Escandinávia. O fluxo de estrangeiros pelas fronteiras abertas, associado ao risco de terrorismo, exasperou a opinião pública de diferentes países contra a União Europeia e provocou uma onda de adesões a partidos de extrema direita.

Nas últimas eleições regionais, a Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de cunho xenofóbico, chegou a 14% dos votos graças a uma plataforma de combate à política de portas abertas da chanceler Angela Merkel.

A resposta de Berlim começa agora a surtir efeito. A despeito das críticas da ONU, da Organização Internacional para Migrações (OIM) e de ONGs como Anistia Internacional, o governo de Merkel comemorou a redução da pressão migratória sobre suas fronteiras: “Nossas medidas funcionam”, disse nesta sexta-feira, 8, o ministro do Interior, Thomas de Maizière. “No último trimestre de 2015, mais de 500 mil pedidos de asilo foram recenseados. No primeiro trimestre de 2016, houve 170 mil. Isso corresponde a um recuo de 66%.”

Os números foram alcançados em razão da virada de Merkel, que defendia a abertura da União Europeia aos refugiados – em especial os que fogem da guerra na Síria, que já deixou mais de 250 mil mortos. Pressionada pelos países do Leste, que construíram cercas de arames farpados e se recusaram a aceitar a política de cotas de migrantes de Bruxelas, e sem o apoio da França, restou a Berlim também fechar suas fronteiras.

O Ministério do Interior diz  esperar que, com a entrada em vigor do acordo com a Turquia, que prevê deportações em massa e acolhimento de no máximo 72 mil novos refugiados e asilados, a crise migratória chegue ao fim. Pelo acordo, a Alemanha receberia apenas 1,6 mil novos migrantes.

Mas o risco de que novos caminhos se abram para absorver a demanda reprimida na rota dos Bálcãs existe. “Ignoramos se novas rotas alternativas, em especial entre a Itália e a Líbia, vão se abrir, nem como a Itália vai reagir”, admitiu Maizière.

Na quinta-feira, em Metz, na França, Merkel e o presidente francês, François Hollande, ressaltaram em encontro bilateral a necessidade de retomar o controle das fronteiras da UE. “Decisões foram tomadas para que a Europa possa proteger suas fronteiras exterior, agir de forma dura contra o terrorismo e parar o fluxo de migrantes irregulares, respeitando os seus valores e o direito de asilo”, afirmaram.

Para Hollande, “a resposta europeia era necessária”. “Tratava-se da escolha entre uma proteção das fronteiras exterior da União ou encolhimento de cada país-membro em suas fronteiras.”

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