AP Photo/Oded Balilty
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Aliados alertam Trump para não reconhecer Jerusalém como capital de Israel

Turquia, Arábia Saudita, França e outros parceiros estratégicos de Washington disseram que iniciativa - sugerida por funcionários americanos como compensação pela não transferência da embaixada de Tel-Aviv - colocaria em risco a segurança da região

O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 10h46

JERUSALÉM - Os principais aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio e na Europa alertaram nesta terça-feira, 5, que um possível reconhecimento por Donald Trump de Jerusalém como capital de Israel poderia colocar em risco a segurança da região e acabar com o papel dos americanos na mediação do conflito entre palestinos e israelenses.

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As reações são uma resposta a funcionários do governo americano que sugerirem que Trump pode tomar a medida sobre disputada cidade como uma forma de compensar sua provável decisão de atrasar sua promessa de campanha de transferir a embaixada americana de Tel-Aviv para a Jerusalém - na segunda-feira, o republicano perdeu o prazo legal para indicar se adiará ou não a mudança.

A Turquia ameaçou convocar uma cúpula muçulmana e até mesmo romper as relações diplomáticas com Israel se Trump reconhecer Jerusalém como capital israelense. "A Turquia convocará uma cúpula da Organização de Cooperação Islâmica (OCI) em Istambul", alertou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. "Jerusalém é a linha vermelha para todos os muçulmanos."

O Ministério de Relações Exteriores israelense respondeu às ameaças da Turquia de romper relações diplomáticas, assegurando que Jerusalém é sua capital, independentemente da vontade de Erdogan. "Jerusalém é a capital do povo judeu há 3.000 anos e capital de Israel há 70 anos, quer Erdogan o reconheça ou não", afirmou em comunicado o porta-voz de Relações Exteriores, Emanuele Nahson.

A Arábia Saudita, outro parceiro crucial dos americanos no Oriente Médio, também demonstrou ser contra a iniciativa e expressou sua "grave e profunda preocupação" com um possível reconhecimento de Jerusalém como capital israelense.

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Em uma nota divulgada pela agência estatal de imprensa, o Ministro de Relações afirmou que o Reino é favorável aos direitos do povo palestino sobre Jerusalém, algo que "não pode ser mudado". O texto também alertou que essa iniciativa "provocaria sentimentos nos muçulmanos em todo o mundo".

Já o presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou sua preocupação sobre o tema em conversa por telefone com Trump. Em comunicado, o Palácio do Eliseu afirmou que Macron lembrou ao colega americano que "a questão de Jerusalém deve ser solucionada no marco das negociações de paz entre israelenses e palestinos".

Essas negociações, reafirmou o líder francês, devem ter como objetivo o estabelecimento de dois Estados, o de Israel e o da Palestina, "que vivam juntos, em paz e em segurança, com Jerusalém como capital".

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, também declarou nesta terça que qualquer mudança que possa prejudicar as negociações de uma solução de dois Estados entre palestinos e israelenses deve ser evitada. Ela também defendeu que Jerusalém seja a capital conjunta das duas Nações.

Mundo árabe

O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Abul Gheit, considerou perigosa uma possível decisão de Donald Trump transferir a embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém, o que também consagraria a cidade santa como capital de Israel.

"Esta decisão colocaria fim ao papel dos Estados Unidos como mediador de confiança entre palestinos e as forças de ocupação (Israel)", disse Gheit. Ele disse aos membros deste fórum pan-árabe que a reunião convocada para esta terça se devia "ao perigo desta questão e às possíveis consequências negativas não somente para a situação Palestina como também na região árabe e islâmica".

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Por sua vez, Nabil Chaath, conselheiro de alto escalão do presidente palestino, Mahmud Abbas, disse que Trump acabará com os esforços de paz de sua administração se reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

"Não aceitaremos a mediação dos Estados Unidos, não aceitaremos a mediação de Trump. Será o fim do papel desempenhado pelos americanos neste processo", disse Chaath.

Ele também alertou para a reação das ruas palestinas e árabes. "Não sei se isso provocará distúrbios, mas haverá, sem dúvida, manifestações populares em toda parte. Espero que não haja violência", disse. "Mas podem explodir distúrbios no mundo árabe, que não poderemos controlar", acrescentou. / AP, EFE, AFP e REUTERS

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