REUTERS/Nasser Nasser/Pool
REUTERS/Nasser Nasser/Pool

Aliados dos EUA no Oriente Médio criticam Trump por reconhecer Jerusalém como capital de Israel

Governo da Jordânia, que controla os lugares santos muçulmanos em Jerusalém, diz que decisão é uma violação do direito internacional

O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2017 | 18h01

AMÃ - Aliados muçulmanos dos Estados Unidos no Oriente Médio criticaram nesta quarta-feira, 6, a decisão do presidente americano, Donald Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e transferir a embaixada do país para a cidade. Jordânia e Turquia, dois importantes parceiros de Washington na região, divulgaram comunicados contra a medida. 

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A Arábia Saudita, um forte aliado militar e econômico dos EUA - e que não mantém relações diplomáticas com Israel -, "lamentou profundamente" a decisão de Trump. "O Reino já tinha advertido das graves consequências de uma decisão tão injustificada e irresponsável", disse um comunicado do Palácio Real, citado pela mídia estatal saudita. Para o país muçulmano, a decisão trata-se de "um retrocesso nos esforços a favor da paz e de uma violação da posição americana historicamente neutra sobre Jerusalém". Presidentes anteriores dos EUA, desde Bill Clinton até George Bush, fizeram promessas eleitorais similares, mas as descartaram ao assumir o mandato.

O rei Salmán, da Arábia Saudita, havia advertido Trump na terça-feira de que mudar a embaixada para Jerusalém constituía uma "iniciativa perigosa" que poderia resultar na "raiva dos muçulmanos em todo o mundo". O comunicado saudita acrescentou que a decisão do líder americano "é contrária aos direitos históricos dos palestinos em Jerusalém (...) e complicará o conflito entre Israel e palestinos".

"Esperamos que a administração americana reconsidere sua decisão e atue conforme a vontade da comunidade internacional, que busca permitir que o povo palestino recobre seus direitos legítimos", afirmou o comunicado.

O governo da Jordânia, que controla os lugares santos muçulmanos em Jerusalém, denunciou como "uma violação do direito internacional" o anúncio do presidente americano Donald Trump de reconhecer a Cidade Santa como capital de Israel.

"A decisão do presidente americano de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e a transferência da embaixada dos Estados Unidos para esta cidade constituem uma violação das decisões do direito internacional e da Carta das Nações Unidas", avaliou o porta-voz do governo jordano, Mohamed Mumeni, em comunicado.

O governo turco qualificou de irresponsável e ilegal o anúncio feito pelo presidente americano, Donald Trump, de reconhecimento pelos Estados Unidos de Jerusalém como capital de Israel.

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"Condenamos a irresponsável declaração da administração americana. A decisão vai contra a lei internacional e importantes resoluções das Nações Unidas", afirmou no Twitter o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu.

Erdogan tinha pedido, horas antes do aguardado anúncio de Trump, uma cúpula de países muçulmanos em Istambul em 13 de dezembro para tratar do assunto. 

Em uma declaração separada, o Ministério de Relações Exteriores turco insistiu que o conflito entre Israel e os palestinos só pode ser resolvido mediante a criação de um Estado palestino, com Jerusalém leste como capital. /AFP

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