MATTHEW CAVANAUGH / Efe
MATTHEW CAVANAUGH / Efe

Americanos temem ação ainda mais violenta, diz pesquisa

Sondagem indica que medo maior vem dos republicanos; receio de a tragédia ser ainda pior nunca foi tão alto

Vinicius Neder*, O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2016 | 06h00

WASHINGTON - A dois meses das eleições presidenciais, os americanos nunca tiveram tanto medo de um ataque terrorista do porte da destruição das Torres Gêmeas, em Nova York. Segundo pesquisa divulgada na quarta-feira pelo Pew Research Center, 40% dos entrevistados acham que a capacidade de terroristas realizarem um grande atentado hoje é maior do que em 11 de setembro de 2001. O receio dos americanos está no maior nível em 14 anos, já que o instituto faz essa pesquisa sistematicamente.

Os dados mostram também que essa percepção nunca esteve tão partidarizada, pois o aumento recente do temor de atentados vem de eleitores do Partido Republicano.

“O terrorismo tornou-se um assunto tão partidarizado neste momento que as pessoas parecem fechadas em suas decisões. Os democratas estão preocupados com o terrorismo, claro, mas não no grau dos republicanos”, afirmou o diretor de pesquisas políticas do Pew Research Center, Carrol Doherty.

De acordo com a pesquisa, 58% dos republicanos acreditam que a capacidade de terroristas lançarem um ataque nos moldes do 11 de Setembro é maior hoje do que em 2001, 18 pontos porcentuais acima do nível registrado na edição de novembro de 2013 do mesmo estudo. 

Doherty frisou que os pesquisadores do Pew Research Center fazem menção específica aos atentados de Nova York, ou seja, os entrevistados respondem pensando nos ataques de 15 anos atrás, que deixaram cerca de 3 mil mortos. 

O diretor do instituto chamou a atenção para o fato de que 58% dos republicanos acreditam que a possibilidade de um novo ataque não é a mesma, mas sim maior do que em 2001. “Não vemos isso entre independentes e democratas”, disse Doherty. Para o diretor do Pew Research Center, dois fatores fazem o eleitor republicano ter mais receio de ataques terroristas. O primeiro é o crescimento do Estado Islâmico e o fato de já ter havido ataques terroristas nos EUA. 

O segundo é como Trump trata a questão. “Esta é uma de suas bandeiras. Ele sugeriu o banimento da imigração de muçulmanos. E isso repercutiu na base republicana de uma forma que não vimos nas eleições passadas”, afirmou Doherty.

Ainda assim, a partidarização tende a tornar a temática do terrorismo menos decisiva, pois o que os candidatos propõem ou dizem a respeito do assunto não deverá levar eleitores indecisos para um lado ou para o outro. “Embora as pessoas levantem o terrorismo como um assunto muito importante, ele pode não ser decisivo para muitos eleitores simplesmente porque confirma, em vez de mudar suas opiniões”, afirmou Doherty. 

* O REPÓRTER É BOLSISTA DO WORLD PRESS INSTITUTE 

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