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Análise: A atômica dinastia Kim vai para seu quarto teste nuclear

- Atualizado: 06 Janeiro 2016 | 15h 57

O programa atômico norte-coreano começou nos anos 60 com apoio russo e chinês durante o governo do fundador do país, Kim Il-sung, 'o presidente eterno'

O regime instaurado por por Kim Il-sung após a guerra entre as Coreias e o armistício em 1953 se transformou em uma espécie de dinastia atômica, na qual tanto seu filho, Kim Jong-il, como seu neto, Kim Jong-un, jogaram a "carta nuclear" a seu favor como elemento de dissuasão com os Estados Unidos.

O programa atômico norte-coreano começou nos anos 60 com apoio russo e chinês durante o governo do fundador do país, Kim Il-sung, "o presidente eterno", que instaurou um regime de ideologia socialista "juche" (auto-suficiência) que derivou em uma monarquia stalinista hereditária.

Kim Jong-Un reaparece para inspecionar moradias entregues pelo governo norte-coreano
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No entanto, só nos anos 80 o regime norte-coreano deu seus primeiros passos em direção ao desenvolvimento de armas atômicas para a inquietação da comunidade internacional.

Essa aposta atômica passou de Kim Il-sung, que morreu em 8 de julho de 1994, ao seu sucessor, Kim Jong-il, "reinado" em que os Estados Unidos incluíram a Coreia do Norte no chamado "eixo do mal", junto com Irã e Iraque.

O regime de Kim Jong-il realizou seu primeiro teste atômico subterrâneo em 9 de outubro de 2006, na base de Punggye-ri, a cerca de 400 quilômetros ao nordeste da capital Pyongyang, com uma potência estimada pelos serviços de inteligência ocidentais de 1 quiloton.

O segundo teste, em 25 de maio de 2009, também com material físsil, foi realizado no mesmo lugar e com uma potência estimada de 3,5 quilotons.

Os dois testes nucleares foram seguidos, respectivamente, por um lançamento de mísseis balísticos e uma tentativa fracassada de enviar ao espaço um foguete de longo alcance.

Após a morte de Kim Jong-il, "O Amado líder", em 17 de dezembro de 2011, seu filho e herdeiro, Kim Jong-un assumiu o legado do programa nuclear e realizou o terceiro teste atômico em 12 de fevereiro de 2013.

A potência do terceiro teste, também subterrâneo na mesma base, foi de 6,7 quilotons e provocou um tremor de 4,5 graus de magnitude na escala Ritcher.

Hoje, há pouco mais de um mês para o terceiro aniversário daquela prova, Pyongyang afirmou ter realizado com sucesso seu quarto teste nuclear e o primeiro em que empregou uma bomba de hidrogênio, mais potente que os dispositivos que tinha utilizado antes.

Tanto Estados Unidos como os países vizinhos iniciaram seus dispositivos para verificar a autenticidade da prova, que provocou um terremoto de 4,9 graus, segundo o Centro de Redes de Terremotos da China e parece ter sido causado por uma explosão.

Enquanto isso, a Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO) indicou em Viena que o "evento sísmico" registrado hoje na Coreia do Norte, que o país garante ter sido pelo teste atômico, teve a mesma magnitude e características do de 2013.

Na década de 2000, as duas Coreias, EUA, China, Japão e Rússia tentaram negociar a conclusão da desnuclearização norte-coreana em conversas de seis lados, mas agora, 16 anos depois, Kim Jong-un, imerso em sua ideologia "juche", apostou por continuar sozinho a crise nuclear. / EFE

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