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Análise: Republicano dá presente a Maduro

Declaração de Trump de que a possibilidade de uma ação militar na Venezuela não está descartada reforça discurso de que a crise no país é fruto de uma conspiração orientada pelo governo americano

Felipe Corazza , O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2017 | 21h00

Nicolás Maduro completará 55 anos no dia 23 de novembro, mas recebeu um presente bastante antecipado enviado diretamente de Washington. A declaração de Donald Trump afirmando que a possibilidade de uma ação militar não está descartada no país sul-americano dá um reforço significativo ao discurso, repetido à exaustão pelo chavista e aliados, de que a crise na Venezuela é fruto de uma conspiração urdida dentro e fora do país sob comando e orientação do governo americano.

Mesmo que Trump esteja – como provavelmente está – apenas lançando sobre o Caribe mais um de seus blefes, o magnata republicano deu ontem a Maduro a oportunidade de “confirmar” em seus confusos pronunciamentos a ideia de que os EUA têm a intenção de intervir no país em busca de seu petróleo.

Apoiado sobre o pilar do medo de um ataque militar externo – ideia agora aventada pelo próprio comandante-chefe americano –, o líder chavista tem a chance de consolidar o apoio que tem recebido da maior parte dos militares, amalgamar o que lhe resta de apoio entre a opinião pública e endurecer ainda mais a repressão – tudo em nome da defesa nacional.

Trump diz não ter hábito de ler livros. Caso lesse, poderia ter aprendido que o “inimigo externo” é o argumento dos sonhos para qualquer tirano que veja sua economia em maus lençóis e sua popularidade se esvaindo. 

*É JORNALISTA

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