Anistia Internacional alerta para violações de direitos humanos na Venezuela
País lida com a inflação mais alta do mundo e com uma escassez de ao menos 80% de produtos básicos, como alimentos e remédios
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Por Redação
CARACAS - A organização Anistia Internacional (AI) alertou na segunda-feira que foram registradas na Venezuela "graves violações" aos direitos humanos pela falta de acesso da população a alimentos e remédios.
"A Venezuela está passando por uma encruzilhada importantíssima em sua história com graves violações aos direitos humanos, aos direitos fundamentais das pessoas que têm que viver com sua alimentação básica, com acesso a remédios básicos", afirmou em Caracas a diretora para a América da Anistia Internacional, Erika Guevara.
Crise na Venezuela: escassez de alimentos se agrava
1 / 8Crise na Venezuela: escassez de alimentos se agrava
Crise na Venezuela: escassez de alimentos se agrava
"Tenho que sair de casa às 5 da madrugada, sob risco de ser morto, para enfrentar filas o dia inteiro e só voltar com dois ou três itens de comida", r... Foto: REUTERS/Carlos Garcia RawlinsMais
Crise na Venezuela: escassez de alimentos se agrava
"Estamos comendo menos porque não encontramos nos mercadose, quando elas estão disponíveis, as filas são infernais e não conseguimos comprar. Atualmen... Foto: REUTERS/Carlos Garcia RawlinsMais
Crise na Venezuela: escassez de alimentos se agrava
"Estamos há cerca de 15 dias comendo pão com queijo ou arepa - prato típico venezuelano - com queijo. Hoje, nos alimentamos pior do que antigamente po... Foto: REUTERS/Carlos Garcia RawlinsMais
Crise na Venezuela: escassez de alimentos se agrava
"Estamos nos alimentando muito mal. Por exemplo, se temos farinha de milho comemos arepas o dia todo. Mesmo quando temos dinheiro não encontramos comi... Foto: REUTERS/Carlos Garcia RawlinsMais
Crise na Venezuela: escassez de alimentos se agrava
"Antes, conseguíamos comprar comida para até 15 dias. Hoje, só cobrimos nossas necessidades diárias", dizRomulo Bonalde. Ele e a mulherMaria de Bonald... Foto: REUTERS/Carlos Garcia RawlinsMais
Crise na Venezuela: escassez de alimentos se agrava
"Comer se transformou em algo de luxo (na Venezuela). Antes, nosso dinheiro comprava roupas e outros ítens. Hoje, vai tudo em comida", apontaYaneidy G... Foto: REUTERS/Carlos Garcia RawlinsMais
Crise na Venezuela: escassez de alimentos se agrava
Montagem com série de geladeiras de venezuelanos que sofrem com a falta de alimentos em razão da crise econômica vivida pelo país; em todas, sobra esp... Foto: REUTERS/Carlos Garcia RawlinsMais
Crise na Venezuela: escassez de alimentos se agrava
"Somos uma família grande e está cada vez mais difícil para conseguirmos comer", dizRicardo Mendez (2º à esq.) Foto: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
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Após um encontro com parentes de políticos presos na sede do Parlamento venezuelano, Erika assegurou que na Venezuela há "uma situação de grave polarização política que não permite que o Estado cumpra suas responsabilidades de proteção aos direitos humanos".
A Venezuela tem a inflação mais alta do mundo - oficialmente de 180,9% em 2015 e projetada para 700% em 2016 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) - e sofre uma escassez de ao menos 80% dos alimentos básicos. Dessa forma, a população tem que enfrentar longas filas para comprar produtos a um preço subsidiado.
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A ativista da Anistia Internacional informou que conversará com pessoas que estão nas filas para escutar "os depoimentos daquelas que hoje são as mais afetadas e vulneráveis em seus direitos humanos".
Erika manifestou que o "principal interesse" da visita da AI é colaborar com as autoridades, membros da sociedade civil e ativistas de direitos humanos para alcançar "uma solução pacífica" para a crise que afeta a população.
A ativista lamentou que a América Latina e o Caribe enfrentem "grandes retrocessos em questão de direitos humanos".
Nas últimas semanas aumentaram os protestos, roubos e confusões em supermercados em diferentes cidades do país, diante do agravamento da escassez de alimentos e remédios.
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Uma mulher morreu na segunda-feira com um tiro no rosto quando saqueadores invadiram armazéns de alimentos no leste da Venezuela. Marco Ponce, da ONG Observatório Venezuelano de Conflito Social, afirmou que nos primeiros 4 meses de 2016 houve 94 roubos e 72 tentativas de roubo. /AFP
Descaso e morte nos hospitais de Maduro
1 / 8Descaso e morte nos hospitais de Maduro
Crise de saúde na Venezuela
Sem antibióticos, adiabética Rosa Parucho teve a perna amputada em um hospital de Puerto La Cruz Foto: Meridith Kohut/The New York Times
Crise de saúde na Venezuela
Nicolas Espizona observa a filha de 5 anos, que tem câncer, em hospital em Puerto La Cruz, na Venezuela. Não há remédios para a doença no local Foto: Meridith Kohut/The New York Times
Crise de saúde na Venezuela
Incubadoras quebradas são amontoadas em uma sala de um hospital em Puerto La Cruz, na Venezuela Foto: Meridith Kohut/The New York Times
Crise de saúde na Venezuela
Manchas de sangue em maca do Hospital Luis Razetti, em Puerto La Cruz, no litoral da Venezuela Foto: Meridith Kohut/The New York Times
Crise de saúde na Venezuela
Pacientes aguardam atendimento em corredor de um hospital superlotado em Mérida, na Venezuela Foto: Meridith Kohut/The New York Times
Crise de saúde na Venezuela
Garrafas de água são usadas de maneira em camas hospitalares em hospital de Puerto La Cruz, na Venezuela Foto: Meridith Kohut/The New York Times
Crise de saúde na Venezuela
Pacientes esperam por atendimento no pronto-socorro de um hospital em Puerto La Cruz, na Venezuela Foto: Meridith Kohut/The New York Times
Crise de saúde na Venezuela
Venezuelanos chegam a esperar horas por uma cirurgia em hospitais da rede pública Foto: Meridith Kohut/The New York Times