Anistia Internacional critica EUA por violar direitos humanos em Guantánamo

China e Rússia também são criticadas em relatório anual do órgão

Associated Press

27 Maio 2010 | 15h14

LONDRES - A ONG Anistia Internacional divulgou um relatório na quinta-feira, 27, acusando os EUA, a Rússia e a China de ignorar as violações de direitos humanos de seus aliados, assim como de impedir acesso aos seus registros sobre o assunto.

 

O órgão defensor dos direitos humanos censurou os EUA por manter funcionando a prisão de Guantánamo, em Cuba, apesar das promessas do presidente Barack Obama de fechá-la, e a Rússia e a China pelo que descreveu como o bloqueio ao acesso internacional dos registros da conduta do Sri Lanka durante o sangrento conflito com insurgentes.

 

Segundo Claudio Cordone, secretário-geral interino do órgão, esses eventos representam um revés frente aos avanços registrados em outros países no ano passado para assegurar a justiça e o combate à impunidade.

 

O órgão criticou vários outros países do grupo dos 20 por se negarem a participar da Corte Penal Internacional, dedicada a julgar crimes de guerra. "China, Índia, Indonésia, Rússia, Turquia e EUA se mantêm à margem dos esforços internacionais para fazer justiça", disse Cordone. Os países não emitiram nenhuma resposta formal ao relatório, embora anteriormente tenham dado ênfase de que preferem não interferir nos assuntos de outras nações.

 

O resumo anual da Anistia Internacional sobre as violações dos direitos humanos no mundo exigiu dos membros do G-20 - que inclui países como o Brasil e o México - a dar o exemplo para que outros países se unam à corte.

 

EUA e outros países se negaram a se juntar ao tribunal porque, em parte, temem que ele se torne uma ferramenta para julgar com motivações políticas forças de governos impopulares como poderia acontecer com o Iraque de Saddam Hussein.

 

EUA

 

Sobre os EUA especificamente, o órgão disse que o governo de Obama tem uma imagem mista em relação à defesa dos direitos humanos. Ainda que tenham ocorrido avanços para que Guantánamo fosse fechada, há poucos indícios de que alguém possa ser responsabilizado pelos abusos cometidos na base, disse Cordone.

 

"Houve indícios positivos quando prometeram fechar Guantánamo. Ainda assim, está funcionando e utiliza comissões militares que não estão de acordo com os padrões internacionais", disse. A base abriga suspeitos de praticar atos terroristas, sendo a maioria dos prisioneiros seguidores do islã.

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