AFP PHOTO / THOMAS COEX
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Anistia Internacional pede libertação de menor palestina acusada de agredir soldados israelenses

Corte militar decidirá nesta segunda-feira o futuro de Ahed Tamimi, que pode pegar 10 anos de prisão

O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2018 | 11h32

JERUSALÉM - A Anistia Internacional (AI) pediu nesta segunda-feira, 15, a libertação da adolescente palestina Ahed Tamimi, detida após a divulgação de um vídeo no qual aparece desferindo golpes contra soldados israelenses. Uma corte militar decidirá o destino da garota, que pode ser condenada a 10 anos de prisão.

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“Nada que a Ahed Tamimi tenha feito pode justificar a detenção contínua de uma menina de 16 anos. As autoridades israelenses devem libertá-la urgentemente”, declarou Madgalena Mughrabi, diretora adjunta da AI para Oriente Médio e Norte da África, em um comunicado.

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Ahed comparecerá nesta segunda-feira a um tribunal militar de Ofer, na Cisjordânia ocupada, por acusações de agressão grave e outros 11 delitos. No vídeo, ela aparece empurrando e batendo em dois soldados israelenses em sua casa na região de Nabi Saleh no dia 15 de dezembro.

Quando o vídeo foi gravado, um dos primos de Ahed, de 14 anos, havia sido ferido por uma bala de aço revestida de borracha no rosto durante confrontos com soldados. Ele entrou em coma e agora está se recuperando.

“Registrado o ataque a uma adolescente desarmada contra dois soldados armados que usavam equipamento de proteção. A gravação deste incidente mostra que ela não representa uma ameaça real e seu castigo é descaradamente desproporcional”, afirmou Madgalena.

A Anistia Internacional acredita que o caso de Ahed Tamimi reflete “um tratamento discriminatório dos menores palestinos que se atrevem a fazer frente à repressão continuada, muitas vezes brutal, por parte das forças de ocupação”.

A adolescente foi detida quatro dias depois de um ataque noturno em sua casa, no dia 19 de dezembro. Sua mãe, Nariman, e sua prima Nour também foram presas por aparecer no vídeo durante protestos contra a declaração recente do presidente americano, Donald Trump, na qual reconhecia Jerusalém como capital de Israel.

A viralização do vídeo transformou Ahed em um ícone da resistência enquanto parte da população israelense e representantes, como o ministro da Educação, Naftalí Benet, consideram que “as três mulheres devem passar suas vidas na cadeia”, segundo declarou à Rádio do Exército.

Nour foi libertada depois de pagar fiança, e Narinman é acusada de cinco delitos.

A AI acusa Israel de processar centenas de menores palestinos a cada ano em tribunais militares e de “violar descaradamente as suas obrigações no que diz respeito à lei internacional para proteger as crianças de castigos criminais excessivamente duros”.

Organizações locais garantem que cerca de 350 menores estão em cárceres e centros de detenção israelenses. / EFE

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