REUTERS/Guadalupe Pardo
REUTERS/Guadalupe Pardo

Antifujimorismo tem missão mais árdua que em 2011

Filha de ex-ditador está mais forte após viajar 5 anos pelo país; diferença no programa dos rivais desta vez é maior, dizem analistas

Rodrigo Cavalheiro ENVIADO ESPECIAL / LIMA, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2016 | 05h00

Cinco anos depois de o antifujimorismo garantir a vitória de Ollanta Humala sobre Keiko Fujimori, a tarefa de impedir o regresso do sobrenome japonês ao poder no Peru será mais difícil. Analistas veem um cenário mais favorável à filha do ex-ditador Alberto Fujimori, por mérito dela e pelo perfil de seus oponentes.

Desta vez, há uma distância maior entre os que se revelaram seus principais rivais. Pedro Pablo Kuczynski, por exemplo, pretende estimular os investimentos em mineração, bloqueados pela mobilização popular de Humala. A líder de esquerda Verónika Mendoza promete aceitar o regresso das mineradoras, mas revisar todos os contratos do setor. O programa do economista está mais próximo ao de Keiko que do da esquerdista.

Três analistas ouvidos pelo Estado dizem que Kuczynski teria maior chance de vencer Keiko que Verónika. “Humala tinha mais afinidade com os demais opositores de Keiko. Não há nenhuma coincidência entre Kuczynski e Verónika, e nenhum pediria votos para o outro contra Keiko”, diz o cientista político Fernando Tuesta Soldevilla, da Pontifícia Universidade Católica do Peru.

 

 A evidência mais clara de que Keiko está mais forte é que venceu o primeiro turno, depois de viajar durante cinco anos pelo país. Em 2011, ela perdeu para Humala na primeira votação, aproximou-se, mas foi derrotada por 51,5% a 48,5%.

“Keiko tem hoje um terço de eleitores muito sólido. Em 2011, Humala tinha uma base social muito mais ampla que seus rivais de hoje”, afirma o analista Hugo Guerra, professor da Universidade San Martín de Porres. Projeções feitas antes do primeiro turno para a votação de 5 de junho apontavam uma disputa acirrada de Keiko com o economista e uma vitória apertada contra Verónika.

A filha de Fujimori adotou como estratégia atacar o mandato de Humala e deixar os rivais brigarem entre si. Pelo menos em público, afastou nomes ligados ao governo do pai (1990-2000) para se aproximar do centro. 

“Ela dispensou nomes mais ligados ao fujimorismo tradicional e fortaleceu um partido (Força Popular), algo que seu pai nunca fez. Keiko liderou uma oposição dura a Humala, mas dentro dos limites. Criou uma bagagem democrática e fez um esforço, embora mantenha propostas conservadoras”, avalia o analista político José Carlos Requena.

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