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Ao lado de Raúl Castro, Obama cobra respeito a direitos humanos em Cuba

- Atualizado: 21 Março 2016 | 20h 16

Durante rara visita, líderes de Washington e Havana concederam entrevista coletiva; cubano se irritou com pergunta sobre presos políticos na ilha; apesar de divergências, presidentes afirmam ser necessário manter o foco nos aspectos comuns entre países

No primeiro encontro que tiveram em solo cubano, os presidentes Barack Obama e Raúl Castro expressaram divergências em relação à democracia e aos direitos humanos, mas defenderam a necessidade de construção de pontes entre seus países. Em uma entrevista coletiva sem precedentes, o dirigente cubano foi confrontado com uma pergunta sobre a existência de presos políticos na ilha. 

“Entregue-me a lista de prisioneiros políticos”, afirmou o presidente. “Se existirem, estarão soltos antes que anoiteça”, declarou, depois de dizer que não há presos políticos em Cuba. Ao lado de Obama, o cubano participou de um raro espetáculo no país e respondeu a perguntas de jornalistas em uma entrevista coletiva transmitida ao vivo pela TV estatal.

Na avaliação de Obama, a questão política continuará a ser uma “irritação poderosa” na relação bilateral se não houver mudanças em Cuba na direção de maior respeito a direitos individuais – entre eles, o líder americano mencionou liberdades de imprensa e de manifestação. 

Raúl Castro e Barack Obama se cumprimentam no Palácio da Revolução, em Havana, durante visita histórica do presidente americano à ilha

Raúl Castro e Barack Obama se cumprimentam no Palácio da Revolução, em Havana, durante visita histórica do presidente americano à ilha

Segundo o dissidente cubano Elizardo Sánchez, fundador da Comissão Nacional de Direitos Humanos e Reconciliação, existem pelo menos 78 presos políticos na ilha, além de 11 que cumprem prisão domiciliar.

Obama e Raúl encontraram-se no Palácio da Revolução, que fica ao lado da praça do mesmo nome, na qual há grandes imagens estilizadas dos rostos de Che Guevara e Camilo Cienfuegos, que participaram ao lado de Fidel e Raúl do movimento que chegou ao poder em 1959. Dois anos mais tarde, em 1961, Cuba e Estados Unidos romperam relações diplomáticas, que só foram restabelecidas em 17 de dezembro de 2014. 

Antes das perguntas dos repórteres, cada presidente falou por cerca de 15 minutos, durante os quais reconheceram suas diferenças, mas defenderam a necessidade de construir pontes e de enfatizar o que os dois países têm em comum. “Estamos concentrados no futuro”, declarou o americano.

Raúl adotou um tom mais agressivo que o de Obama, exigiu o fim do embargo econômico, a devolução da base naval de Guantánamo e afirmou que as medidas anunciadas por Washington nos últimos 15 meses foram positivas, mas “insuficientes”. Em uma crítica velada à situação americana, Raúl disse que Cuba garante os direitos à saúde e à educação públicas e observou que nenhum país do mundo cumpre todos os acordos internacionais que tratam de direitos humanos. 

Ofensiva. Na véspera da chegada de Obama, dezenas de dissidentes cubanos foram detidos por cerca de oito horas após participarem de marcha em defesa da libertação de presos políticos e da concessão de anistia.

Entre eles, estavam a líder do grupo Damas de Branco, Berta Soler, e Antonio Rodiles, do movimento Todos Marchamos. Ambos foram convidados para um encontro com Obama hoje na Embaixada dos EUA em Havana. Na entrevista de ontem, o presidente americano ignorou uma pergunta sobre a detenção dos ativistas.

Apesar das críticas ao sistema político em Cuba, Obama ressaltou que divergências não impediram os Estados Unidos e seu governo de se relacionar com outros países que também têm visões distintas nessas áreas – ele citou como exemplos China, Vietnã e Mianmar.

Ambos os presidentes manifestaram disposição de fortalecer os laços bilaterais apesar das diferenças. “Destruir uma ponte é uma tarefa fácil, que requer pouco tempo. Reconstruí-la solidamente é uma tarefa mais longa e desafiadora”, observou Raúl. 

O presidente cubano usou uma metáfora esportiva para manifestar otimismo, fazendo referência à nadadora americana Diana Nyad, que em 2013 se tornou a primeira atleta a cruzar o estreito que separa Cuba e a Flórida sem a proteção de uma jaula contra os tubarões. “Essa proeza tem uma forte mensagem”, observou. “Se ela conseguiu, nós também conseguiremos.”

Em seguida, Obama referiu-se à metáfora usada por Raúl e disse esperar que os dois países tenham sucesso na reconstrução dos laços bilaterais sem que seja necessário “nadar entre os tubarões”.

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