REUTERS/Kenny Katombe
REUTERS/Kenny Katombe

Quinze soldados da ONU são mortos em ataque na República Democrática do Congo

Ataque de rebeldes contra base das Nações Unidas no leste do país também deixou 53 pessoas feridas, 3 delas em estado grave; ação é a mais violenta contra as Forças de Paz da organização internacional em sua história recente

O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2017 | 13h57
Atualizado 08 Dezembro 2017 | 23h32

NAÇÕES UNIDAS - Quinze capacetes-azuis morreram em ataque a uma base das Nações Unidas na República Democrática do Congo nesta sexta-feira, 8, no pior ataque sofrido pela organização internacional em sua história recente.

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“Podemos confirmar pelo menos 15 capacetes-azuis mortos e outros 53 feridos, 3 deles em estado gravíssimo”, disse o chefe das operações de paz da ONU, Jean-Pierre Lacroix, na sede da ONU, em Nova York. Os soldados foram identificados como militares da Tanzânia.

Lacroix afirmou que o ataque foi realizado pouco depois de um “aumento nas atividades de vários grupos armados na região” e em resposta à “postura robusta” da missão de paz na região. “Estamos incomodando eles”, disse o funcionário da ONU.

O chefe das operações de paz da ONU, que não descartou que o número de vítimas possa aumentar, confirmou também que pelo menos outros dois soldados estavam desaparecidos desde que o ataque foi realizado na província de Kivu do Norte.

Trata-se do pior ataque contra as forças de paz da ONU na história recente da organização, afirmou o secretário-geral da organização, António Guterres, que confirmou inicialmente pelo menos 12 mortos e 40 feridos.

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“Estes ataques deliberados contra as forças de paz da ONU são inaceitáveis e constituem um crime de guerra”, disse Guterres, acrescentando que os autores “não podem ficar impunes”. “Peço que as autoridades da República Democrática do Congo investiguem este incidente. Não pode haver impunidade para estes ataques em nenhum lugar.”

Um fonte diplomática da ONU informou que ao menos outros dois soldados, possivelmente congoleses, morreram no ataque.

A missão para a manutenção da paz no país africano, a Monusco, foi atacada por rebeldes muçulmanos do Uganda ADF, um dos grupos armados que operam na região de Kivu do Norte, segundo fontes militares congolesas.

O ADF teria pelo menos 1,5 mil combatentes atuando na região de fronteira entre a República Democrática do Congo e Uganda e foi responsável por pelo menos outros dois ataques de grandes proporções contra as forças da ONU no país: um em julho de 2013 e outro sete meses depois, segundo informações da própria organização internacional.

A base da Missão de Paz abriga as forças de intervenção rápida da ONU, que têm um raro mandato para intervir ofensivamente, segundo informações da Radio Okapi, que é apoiada pela missão da ONU.

Citando fontes militares, a estação informou que os confrontos entre os capacetes-azuis e os rebeldes duraram cerca de quatro horas.

Desde a chegada das Forças de Paz ao país, em 1999, cerca de 300 capacetes-azuis já foram mortos, segundo dados oficiais das Nações Unidas.

O Departamento de Estado dos EUA se disse horrorizado com os relatos do mortífero ataque na República Democrática do Congo. O Bureau de Assuntos Africanos do departamento usou sua conta no Twitter para manifestar suas "mais profundas condolências" à missão de paz no país africano, aos militares congoleses a aos parentes das vítimas. / AFP, EFE e AP

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