Gustavo Amador/EFE
Gustavo Amador/EFE

Apoiados pela polícia, hondurenhos desafiam estado de sítio pós-eleitoral

Observadores questionam incongruências em apuração que indica vitória apertada do presidente Juan Orlando Hernández

O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 17h10

TEGUCIGALPA - Milhares de hondurenhos tomaram as ruas do país nesta terça-feira, 5, em desafio ao estado de sítio controlado pelo presidente Juan Orlando Hernández, que tenta reeleger-se em meio a denúncias de fraude. A polícia recusou-se a reprimir os protestos e entidades internacionais apontaram inconsistências na contagem que indica a vitória de Hernández contra o opositor Salvador Nasralla. 

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‘O único caminho possível para pôr fim à crise é revisar as atas questionadas pela oposição”, disse o ex-presidente da Bolívia Jorge Quiroga, chefe dos observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) no país, que disse haver inúmeras incongruências no processo eleitoral. A constatação é partilhada por observadores da União Europeia. 

Nasralla disse na noite de segunda-feira que jamais aceitará a vitória de Hernández, que contou com uma decisão da Suprema Corte para driblar o veto constitucional à reeleição e disputar um novo mandato. 

Segundo a Justiça eleitoral hondurenha, com 99,98% das urnas apuradas, Hernández tem 42,98% dos votos e Nasralla, 41,39%. O resultado oficial, no entanto, deve demorar 22 dias até ser proclamado, segundo o presidente do TSE David Matamoros.  O governo decretou na sexta-feira estado de sítio e um toque de recolher para conter os protestos, nos quais já morreram três pessoas. 

Levante

Nos últimos dias, policiais designados para reprimir a população têm se negado a cumprir ordens. “Não queremos brigar com o povo”, disse um oficial que não quis se identificar à France Presse. “Queremos paz, que esse problema eleitoral seja resolvido e não haja mais mortes.”

Em diferentes parte de Honduras, os policiais têm sido recebidos com aplausos depois de desistir de reprimir os protestos. 

Líder da aliança que apoia Nasralla, o ex-presidente Manuel Zelaya, deposto num golpe em 2009, denunciou ontem que as atas de votação contestadas foram inseridas na apuração depois de uma série de interrupções no sistema na quarta-feira. /AFP

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