AFP PHOTO / CENTRO DE ESTUDIOS CHE GUEVARA / HO
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Após 50 anos, Che permanece como figura mítica da revolução armada durante Guerra Fria

Personagem histórico deverá receber homenagens em Cuba e na Bolívia, onde seus quatro filhos visitarão o vilarejo no qual o pai foi executado em 1967 pelo Exército boliviano

O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2017 | 07h00

HAVANA - Para os 50 anos de sua morte na selva boliviana, Ernesto "Che" Guevara, uma figura mítica da ação revolucionária armada durante a Guerra Fria, receberá homenagens em Cuba e na Bolívia.

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Em Cuba, onde todos os alunos começam o dia prestando o sermão dos "pioneiros", prometendo "ser como Che", no mausoléu que abriga os restos mortais do lendário guerrilheiro desde 1997 em Santa Clara, estão programadas cerimônias comemorativas.

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O presidente cubano, Raúl Castro, sucessor de seu irmão Fidel, morto em 2016, deverá estar presente para homenagear o homem que era chamado de "O Argentino" nesta cidade, onde ganhou em 1967 uma decisiva batalha contra as tropas do ditador Fulgencio Batista (1952-1958).

Na Bolívia, seus quatro filhos, nascidos e residentes em Cuba, visitarão La Higuera, vilarejo no sul do país onde o guerrilheiro foi executado em 1967, anunciou o presidente Evo Morales.

Ernesto Che Guevara foi capturado no dia 8 de outubro de 1967 pelo Exército boliviano depois de ser ferido em batalha, e executado no dia seguinte. As homenagens são, tradicionalmente, realizadas no dia de sua captura.

Mito ainda vive

Quando foi capturado, ele liderava um grupo de guerrilheiros que sobreviviam a combates, fome e doenças. Che foi levado para uma escola abandonada, onde passou sua última noite. Na tarde seguinte, o revolucionário foi executado sumariamente por Mario Teran, um sargento boliviano.

Aos 39 anos, Che entrava para a História e se tornava um mito, enquanto seu corpo magro era exibido como um troféu. A mitologia revolucionária da qual ele é símbolo foi revivida em 1997 pela descoberta de seus restos mortais e sua exumação solene no mausoléu de Santa Clara por Fidel Castro.

No mundo inteiro, a imagem-culto do guerrilheiro - a foto do cubano Alberto Korda tirada em 1960 e a mais difundida no mundo - continua sendo reproduzida em milhões de camisas, cartazes, bonés e bolsas, apreciados pela juventude dos cinco continentes, mas também por estrelas do futebol e da música.

Guerrilha de corpo e alma

Depois de estudar Medicina na Argentina e de várias jornadas que forjaram suas convicções, esse defensor declarado da violência política conheceu Raúl e Fidel Castro no México, antes de participar da guerrilha que levou "os barbudos" ao poder em Havana em 1959.

De seus companheiros cubanos, ele guarda o apelido de "Che", uma interjeição característica argentina que serve para atrair a atenção do interlocutor, cumprimentá-lo ou expressar surpresa.

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Após supervisionar por seis meses a repressão dos "contrarrevolucionários" - o que nunca negou -, dirigiu por um tempo o Banco Central cubano e o Ministério da Indústria. Mentor da aproximação da Revolução Cubana com Moscou, afastou-se posteriormente dos posicionamentos soviéticos favoráveis ​​à "convivência pacífica" com o bloco ocidental para defender uma estratégia de conquista do poder pelas armas.

"Outras terras do mundo reclamam a contribuição de meus modestos esforços", escreveu para Fidel em 1965, ao pedir uma licença para levar a luta para a África em particular. Ele terminou o documento com sua famosa frase: "Até a vitória, sempre!".

Seguiram-se meses de "desaparecimento", enquanto esteve no Congo tentando, sem sucesso, impor uma revolução armada para, então, embarcar em sua última guerra na Bolívia. / AFP

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