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Após convocação de Terceira Intifada, Israel ataca Hamas em Gaza

Exército retalia lançamento de dois foguetes que não chegaram a atingir território israelense; na Cisjordânia, ao menos 31 manifestantes ficaram feridos

O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2017 | 17h30

JERUSALÉM - O Exército de Israel atacou dois alvos na Faixa de Gaza nesta quinta-feira, 7, em resposta ao lançamento de três foguetes do Hamas contra o território israelense. Dois foguetes caíram na Faixa de Gaza, e o terceiro caiu no sul de Israel. Nenhum deixou feridos. Mais cedo, o grupo convocou uma Terceira Intifada contra Israel depois de o presidente americano, Donald Trump, reconhecer Jerusalém como capital e transferir a embaixada de Tel-Aviv para a cidade.

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Segundo o diário Haaretz, tanques e caças foram usados no ataque. Por meio de um porta-voz, o Exército disse que considera o Hamas responsável por qualquer foguete vindo do território palestino, controlado pelo grupo radical.  

Na Cisjordânia, ao menos 31 pessoas ficaram feridas em protestos contra Trump e Israel, 11 delas com munição real.  O Exército de Israel, que no fim da manhã aumentou a presença de tropas no território ocupado, não comentou o caso. 

Autoridades palestinas convocaram uma greve geral para protestar contra a decisão de Trump. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, viajou para a Jordânia para discutir a crise com o rei Abdullah II. Foram registrados protestos em outros países islâmicos, como a Turquia e o Paquistão. 

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"Só podemos enfrentar a política sionista apoiada pelos Estados Unidos com uma nova intifada", declarou o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em um discurso na Faixa de Gaza. "Amanhã, sexta-feira 8 de dezembro será um dia de ira e o começo de uma nova Intifada chamada 'a libertação de Jerusalém'."

Para Haniyeh, "a decisão de Trump marca o final de uma fase política e significa um ponto de inflexão histórica para a causa palestina". "Afirmamos que Jerusalém está unida, não é oriental nem ocidental, e vai continuar sendo a capital da Palestina, de toda a Palestina", declarou o dirigente do Hamas, que disse que "Trump se arrependerá da sua decisão".

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Segundo o líder islamista, diante da declaração de Trump a AP deve sair do túnel de Oslo, que proporcionou à ocupação a legitimidade para existir. Haniyeh pediu a realização de uma reunião entre todas as partes palestinas para discutir a situação atual e acertar as medidas políticas a serem seguidas diante dos eventos. "Devemos tomar decisões, formular políticas e desenvolver uma estratégia para nos opor ao novo complô em Jerusalém e na Palestina", declarou o dirigente.

O reconhecimento Jerusalém como capital de Israel é mais uma promessa de campanha feita por Donald Trump a um dos segmentos mais conservadores de sua base de apoio, os evangélicos brancos, 80% dos quais optaram por sua candidatura na disputa de novembro de 2016. Esse grupo representa um terço dos eleitores republicanos e vê em Israel a realização de profecias bíblicas. / AFP e AP

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