Franck Robichon/EFE
Franck Robichon/EFE

China pede que Washington evite instabilidade na Ásia

EUA reafirmaram apoio a Japão na disputa pela soberania de arquipélago no Mar da China Oriental

O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2017 | 02h51

PEQUIM - O secretário de Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, reafirmou nesta sexta-feira, 3, a aliança do país com o governo do Japão. Ele classificou ainda o acordo como uma "pedra central" para a estabilidade da região ante as ameaças da Coreia do Norte e da China, que, por sua vez, pediu que Washington não se intrometa em suas disputas de soberania com Tóquio.

"A aliança entre Estados Unidos e Japão é benéfica para a manutenção da paz, da prosperidade e da liberdade e continuará sendo uma pedra central para encarar uma mudança na situação de segurança da região", afirmou Mattis, em coletiva de imprensa. "Os Estados Unidos seguirão protegendo o Japão."

Com a declaração, Mattis suavizou as palavras de Donald Trump. Durante a campanha do ano passado, o então candidato ameaçou Tóquio e Seul de retirar as tropas norte-americanas dos países caso eles não aumentassem os investimentos para manutenção dos soldados.

Ainda que Mattis tenha dito que não foi tratado no encontro o tema do aumento dos investimentos nas tropas, ele disse que os "Estados Unidos apreciam as contribuições do Japão e que o país está em um bom caminho".

No encontro com a ministra da Defesa do Japão, Tomomi Inada, o chefe do Pentágono tratou ainda do aumento das atividades militares marítimas da China e do conflito pelas ilhas Senkaku, administradas por Tóquio e reclamadas por Pequim. "As Senkaku estão sob administração do Japão e os Estados Unidos se opõem a qualquer ação unilateral que se oponha a isso", enfatizou, ressaltando a necessidade de se resolver o conflito pela via diplomática.

A ministra japonesa afirmou que a "China é um vizinho importante" e que o diálogo "está sempre aberto".

Reação. As declarações dos secretários de Defesa dos Estados Unidos e do Japão foram mal recebidas pela diplomacia chinesa. O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores da China, Lu Kang, pediu que o governo de Donald Trump deixe "de fazer comentários errôneos" sobre as ilhas Diaoyu, nome pelo qual Pequim chama o arquipélago de Senkaku.

"Pedimos que os Estados Unidos tomem uma atitude responsável, deixe de fazer comentários errôneos sobre a soberania das ilhas Diaoyu e evite complicar mais o assunto ou provocar instabilidade na região", afirmou Lu à agência estatal Xinhua.

O conflito por trás do arquipélago de Senkaku (ou Diaoyu) remonta a 1895, após a primeira guerra Sino-Japonesa. A disputa recrudesceu em setembro de 2012, quando o Japão nacionalizou o solo de três das ilhas.

Situadas no mar da China Oriental, a cerca de 150 quilômetros a noroeste de Taiwan (que também reivindica o território), estas ilhas desabitadas têm superfície de sete quilômetros quadrados e se crê que em suas águas adjacentes poderia haver importantes jazidas de gás natural e petróleo. / EFE

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