Miraflores Palace/Handout via REUTERS
Miraflores Palace/Handout via REUTERS

Após pedido de Maduro, militares marcham desarmados em Caracas

Ministro chavista disse que a marcha seria ‘um chamado à paz’ com o objetivo de evitar confrontos; presidente revelou vídeo da suposta delação de um ativista opositor preso, no qual acusa deputados de seu partido de pagar para provocar violência nos protestos contra o governo

O Estado de S.Paulo

17 Abril 2017 | 12h21

CARACAS - Centenas de militares da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) marcharam desarmados nesta segunda-feira, 17, pelas ruas de Caracas para celebrar o sétimo aniversário da milícia e como um pedido de paz para evitar um derramamento de sangue em meio às recentes e violentas manifestações contra o governo.

Na noite de domingo, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que as Forças Armadas estariam nas ruas de todo o país a partir desta manhã, dois dias antes de uma grande manifestação convocada pela oposição venezuelana. A emissora estatal VTV exibiu soldados marchando durante a parada militar em Caracas junto ao ministro Vladimir Padrino, mas até o momento os soldados não foram vistos patrulhando as ruas.

“Fazemos um chamado à sanidade, à razão, ao senso comum de evitar derramamento de sangue como se fez há três anos, em 2014”, disse o comandante da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), Benavides Torres, na sede militar em frente a dezenas de oficiais.

Maduro afirmou que “a grande marcha de militantes” em Caracas e em outras cidades do país seria um tributo ao grupo criado por seu antecessor, Hugo Chávez. “Começamos a semana com muito vigor, muito espírito de luta, olhando para o dia 19 de abril. Vamos reivindicar hoje a honra da Milícia Bolivariana, que é um ícone da união cívico-militar. Um chamado à paz, ao entendimento. Não queremos confronto”, declarou Padrino.

“Desde o primeiro toque da alvorada, desde o primeiro canto do galo, a Força Armada Nacional Bolivariana estará nas ruas dizendo ‘viva a união cívico-militar’, ‘viva a revolução bolivariana’”, afirmou o presidente chavista.

A oposição venezuelana convocou uma manifestação para quarta-feira - “a mãe das marchas” - em Caracas para exigir respeito à autonomia do Parlamento, de maioria opositora, e para pedir eleições. O chavismo marchará no mesmo dia pela capital venezuelana.

Desde o dia 1.º de abril diversos protestos têm sido registrados contra Maduro, que já deixaram cinco mortos, segundo informações oficiais, e centenas de feridos e presos. O presidente sustenta que essas ações da oposição buscam desestabilizar o seu governo e promover um golpe de Estado.

O efetivo militar da Venezuela é de 165 mil combatentes. As Forças Armadas contam com amplo apoio do governo.

Críticas. Nicolás Maduro revelou no domingo um vídeo da suposta delação de um ativista opositor preso, no qual acusa deputados de seu partido de pagar para provocar violência nos protestos contra o governo.

A gravação mostra Alejandro Sánchez - preso na sexta-feira junto a seu irmão gêmeo, José - explicando que os deputados do partido Primero Justicia, Tomás Guanipa, José Guerra e Marialbert Barrios, junto ao chefe da organização em Caracas, Carmelo Zambrano, entregaram caixas com dinheiro a jovens com a instrução de atear fogo na capital durante os protestos.

Maduro afirmou que durante as manifestações foram registrados atos de vandalismo contra instituições públicas, enquanto 40 lojas foram saqueadas no Estado de Miranda.

"Não vou hesitar em levar à prisão quem tiver que levar, não importa como se chame, esteja no cargo em que estiver (...). Não acreditem que vocês têm uma imunidade intocável. Imunidade não significa impunidade", advertiu o presidente em uma reunião ministerial televisionada.

Horas antes, deputados do Primeiro Justiça disseram ter denunciado às Nações Unidas "torturas" contra os dois detidos. "Prenderam Alejandro por 48 horas, jogaram gasolina em seu casaco", declarou Guanipa a repórteres.

Ele também afirmou que os jovens receberam ameaças de assassinatos se não acusassem os legisladores do Primero Justicia de "cometer atos falsos". "Denunciamos os tratamentos cruéis e desumanos ante o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)", indicou o deputado Juan Miguel Matheus.

Veja abaixo: Confronto deixa feridos na Venezuela

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, exigiu no domingo a libertação dos irmãos Sánchez.

Maduro ordenou que o ministro do Interior e Justiça, Néstor Reverol, e o diretor do serviço de inteligência, Gustavo González, "processem" os líderes opositores que denunciarem as supostas torturas, as quais negou categoricamente. / AFP e EFE

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