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Após protestos, Unasul pede diálogo entre venezuelanos

- Atualizado: 14 Março 2016 | 20h 41

Segundo entidade, polarização não é o melhor caminho para um entendimento que ponha fim à crise venezuelana

CARACAS - Após milhares de opositores e chavistas terem ocupado as ruas venezuelanas no fim de semana em protestos contra e a favor do presidente Nicolás Maduro, o secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, pediu nesta segunda-feira, 14, um diálogo institucional entre os dois lados do espectro político. Na avaliação do ex-presidente colombiano, a polarização não é o melhor caminho para um entendimento que ponha fim à crise venezuelana. 

Em evento com jornalistas em Madri, na Espanha, organizado pelo Fórum Nova Economia, o diplomata colombiano afirmou ontem que o governo chavista precisa se convencer de que é necessário reduzir a distorção cambial no país - provocada pelo controle do dólar - e nivelar os preços da gasolina aos do mercado internacional, para se beneficiar da baixa do petróleo e fortalecer o caixa da PDVSA.

Maduro vota em eleições parlamentares na Venezuela

Maduro vota em eleições parlamentares na Venezuela

Apesar disso, Samper defendeu também subsidiar a população mais pobre em vez de produtos para impedir o contrabando e a venda com ágio de produtos com preços abaixo do mercado. 

Impasse. Ainda ontem, o governo da Venezuela publicou no diário oficial decreto que prorroga por 60 dias o Estado de Emergência Econômica, declarado pelo presidente Nicolás Maduro em 14 de janeiro.

A Assembleia Nacional declarou-se em “sessão permanente” para saber da renovação, autorizá-la ou negá-la, dependendo das explicações do vice-presidente do Executivo, Aristóbulo Istúriz.

A declaração de emergência econômica permite a Maduro, entre outras atribuições, dispor de recursos sem controle do Legislativo, assim como de bens e mercadorias de empresas privadas para garantir o abastecimento, além de restringir o sistema monetário e o acesso às moedas local e estrangeira.

Protestos. No fim de semana, milhares de chavistas e opositores saíram às ruas de Caracas, mas a adesão foi menor que nos últimos protestos de rua, em 2014. A oposição convocou na semana passada uma série de manifestações pela renúncia de Maduro. O chavismo respondeu convocando atos contra o presidente americano, Barack Obama, que renovou um decreto com sanções a autoridades do segundo escalão do governo venezuelano.

“A Venezuela está no meio do caos. Eles prometem, prometem e nada: mais miséria, mais crime e mais destruição”, disse Ruth Briceño, de 35 anos, estudante de direito no rico distrito de Chacao, que estava entre os 2 mil seguidores da oposição. “Não conseguimos comida para nossos filhos. Precisamos que Maduro renuncie.”

Do outro lado de Caracas, defensores do governo tomaram as ruas do distrito de Libertador em defesa de Maduro e contra o governo americano. “Estamos aqui para derrotar o decreto de Obama”, disse Raiza Sucre, uma funcionária pública de 50 anos.

Mineiros. Autoridades venezuelanas anunciaram hoje ter encontrado quatro corpos no Estado de Bolívar – acredita-se que sejam de quatro dos 21 mineiros desaparecidos há mais de uma semana em Tumeremo– o número inicialmente divulgado, 28, foi corrigido pelo governo. “Estamos convencidos, após criteriosa análise técnica e científica de que são eles”, disse a procuradora-geral da República, Luisa Ortega. /AP, EFE, AFP e REUTERS

Fim de semana de protestos na Venezuela
EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
Protestos na Venezuela

Grupo de manifestantes contrários ao presidente Nicolás Maduro pedem sua renúncia em ato em Caracas 

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