Após vídeo de assassinato, Facebook admite falhas e diz que vai rever métodos

Imagens do crime em Cleveland ficaram disponíveis na rede social por mais de duas horas; polícia oferece recompensa de US$ 50 mil por suspeito

O Estado de S.Paulo

17 Abril 2017 | 23h17

NOVA YORK - Depois da divulgação de um vídeo no Facebook que mostra um assassinato nos Estados Unidos, o vice-presidente de operações globais da empresa, Justin Osofsky, admitiu nesta segunda-feira, 17, que o processo de revisão de conteúdo tem falhas e quer melhorar os métodos para vetar material questionável. Segundo ele, como resultado "desta série terrível de eventos", a companhia revisa seu fluxo para receber denúncias sobre material inadequado. O comunicado foi feito em um blog.

Na tarde de domingo, 16, Steve Stephens, de 37 anos, divulgou dois vídeos na rede social, um deles no qual anunciava sua intenção de cometer um assassinato e um segundo, no qual se aproximou de um homem mais velho, identificado como Robert Godwin, de 74 anos, e atirou na cabeça dele. Cerca de 10 minutos depois, ele foi para o Facebook Live, uma plataforma de transmissão instantânea, e falou sobre isso e seus outros supostos crimes. 

Stephens começou a divulgar os vídeos no Facebook às 14h09, segundo a própria rede social. O Facebook recebeu o primeiro relato sobre o segundo vídeo, que continha a cena do ataque a tiros, por volta das 16h, retirando o material da página de Stephens às 16h22, mais de duas horas após o homem começar a veiculá-lo. A rede social foi alvo de críticas por não conseguir monitorar mais de perto a violência em suas plataformas.

A empresa agora planeja buscar meios que facilitem a denúncia de vídeos ou acelere o processo de revisão de itens logo que são reportados. “Nós priorizamos denúncias com sérias implicações de segurança para nossa comunidade e estamos trabalhando para que a revisão se torne ainda mais rápida”, disse Osofsky.

O vídeo divulgado por Steve está entre os exemplos mais extremos do uso de ferramentas da rede social para promover ou exibir a violência. Também reaviva questões sobre a prontidão do Facebook para lidar com material sensível ou violento divulgado ao vivo em sua plataforma. "Este é um crime horrível e não permitimos esse tipo de conteúdo no Facebook", afirmou uma porta-voz da empresa em comunicado. "Nós trabalhamos duro para manter um ambiente seguro no Facebook."

O Facebook tem regras rígidas que proíbem o uso do site para promover a violência e possui equipes de moderação de conteúdo para verificar violações. Uma equipe está encarregada de verificar os vídeos ao vivo e, em caso de problemas, retirá-los do ar. Caso um vídeo atinja certo número de visualizações, ele vai automaticamente para revisão, segundo fontes da companhia. 

Investigações. A polícia de Cleveland oferece uma recompensa de US$ 50 mil pela captura de Steve Stephens. Autoridades disseram ter recebido “dezenas e dezenas” de dicas sobre a possível localização do suspeito e que tentou convencê-lo a se entregar quando falaram com ele pelo celular após o crime, mas Stephens permanece em liberdade quando a busca por ele se expandiu por todo o país. /Dow Jones Newswires e Reuters

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