AP Photo/Carolyn Kaster
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Apostas de que Trump sofrerá impeachment avançam após delação premiada de Flynn

Investidores acreditam que presidente tem 42% de chances de perder o cargo em seu primeiro mandato

Victor Rezende, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2017 | 18h06

A notícia de que o ex-conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca Michael Flynn pretende depor contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no âmbito da investigação da suposta interferência do governo russo na eleição presidencial americana fez com que as apostas para o impeachment de Trump saltasse nas últimas horas, de acordo com o site de apostas PredictIt. 

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Por volta das 16h20 (de Brasília), os investidores acreditavam que Trump tem 42% de chances de sofrer impeachment em seu primeiro mandato, enquanto nos dias anteriores essa possibilidade estava pouco acima de 30%. Ainda de acordo com o PredictIt, as chances do presidente americano sofrer impeachment até o fim do próximo ano subiram de 18% para 25%. 

Flynn disse em acordo de delação premiada que foi orientado pelo comando da equipe de transição do então presidente eleito a discutir com o embaixador russo nos EUA as sanções aplicadas ao país pelo ex-presidente Barack Obama em resposta à interferência de Moscou nas eleições de 2016.

Segundo ele, o assunto foi discutido no dia 29 de dezembro em telefonema com integrante da equipe de transição que estava com Trump no resort Mar-a-Lago, na Flórida. No dia anterior, o representante da Rússia nos EUA, Serguei Kislyak, havia telefonado para Flynn.

O então futuro chefe do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca foi orientado a dizer ao diplomata que a equipe de transição gostaria que a Rússia não agravasse a tensão com os EUA com uma resposta às sanções impostas por Obama. A avaliação era de que isso poderia afetar os objetivos de política externa do governo Trump. A delação premiada não faz menção a esse fato, mas uma das aspirações do então presidente eleito era se aproximar de Vladimir Putin.

Assim que recebeu a orientação, Flynn a transmitiu a Kislyak. No dia 30 de dezembro, em uma declaração surpreendente, Putin disse que não retaliaria os EUA em razão das sanções. Um dia depois, o diplomata russo telefonou a Flynn para comunicar a decisão de seu governo. Em seguida, Flynn relatou a conversa a integrantes da equipe de transição.

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