EFE/José Jácome
EFE/José Jácome

Apuração oficial dá vitória a Moreno, candidato de Correa; oposição contesta

Com 98,96% das urnas apuradas, o candidato do presidente Rafael Correa tem 51,16% e o ex-ministro da Fazenda Guilermo Lasso conta com 48,84%

O Estado de S.Paulo

02 Abril 2017 | 21h30
Atualizado 03 Abril 2017 | 10h41

QUITO - Lenín Boltaire Moreno Garcés, administrador de 64 anos que foi vice presidente do bolivariano Rafael Correa, governará o Equador pelos próximos quatro anos, de acordo com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Com 98,96% das urnas apuradas, o socialista obteve 51,16% dos votos. O empresário conservador Guillermo Lasso ficou com 48,84% e denunciou fraude. O CNE afirmou que a vitória governista era irreversível, a partir de uma projeção sobre as atas de votação. 

Logo após a divulgação dos números iniciais - já com a contagem avançada, com mais de 90% dos votos apurados - partidários de Lasso se revoltaram em Quito, Esmeraldas e Guayaquil, maior cidade do país, onde as barras que isolavam a sede regional do CNE foram quebradas. 

O opositor disse que pedirá uma recontagem e instou seus seguidores a defender sua candidatura “em paz”. No primeiro turno, em meio à demora na divulgação de resultado, partidários de Lasso também tinham protestado em Quito e Guayaquil. “Estamos em pé de luta. Não me roube a eleição. É uma fraude que pretende instalar um governo ilegítimo no Equador. Não jogue com fogo, senhor Correa”, afirmou Lasso.

Os primeiros resultados oficiais foram divulgados às 19h25 de domingo (21h25 em Brasília), 40 minutos antes do previsto. Naquele momento, pesquisas de boca de urna de dois institutos s indicavam vencedores diferentes e Lasso já havia se declarado vencedor. “Hoje nasce um novo Equador”, disse o derrotado. 

Moreno, que reuniu militantes do seu partido diante da sede da legenda em Quito, também declarou vitória antes mesmo de os primeiros resultados oficiais serem divulgados. “Ganhamos a eleição com uma vantagem muito, muito considerável”, disse o presidente eleito. “Os dados são claros e temos uma vantagem confiável. Respeitamos as instituições e vamos aguardar o CNE.”

Moreno se elegeu com uma proposta de manter a “revolução cidadã” do presidente Rafael Correa, apesar da crise econômica que atinge o país desde a queda do barril do petróleo, em meados de 2014.

Para isso, o presidente promete ampliar serviços sociais principalmente na saúde, com atendimento especial a gestantes o plano de cobertura universal a Toda Uma Vida, que tem um custo estimado de US$ 8 bilhões, um gasto oneroso, ainda que previsto no orçamento do país.

Moreno se comprometeu também diminuir o imposto de valor agregado, o IVA, elevado por Correa no ano passado para conter a queda de arrecadação e custear os esforços de reconstrução do terremoto que atingiu o país. 

A crise econômica, no entanto, não dá sinais de que arrefecerá e as manobras de Correa para evitar um impacto maior sobre a população antes da eleição podem custar caro. A arrecadação do Estado diminuiu e o presidente recorreu a financiamento externo, principalmente da China, para manter o ritmo de investimentos. 

A economia fechou 2016 em recessão. A principal dificuldade é a criação de empregos formais. Economistas acreditam que para manter a economia manter-se saudável o novo presidente terá de cortar gastos. 

Despedida. Correa agradeceu ontem aos equatorianos. Em 24 de maio, ele deixará o poder, que assumiu em 2007. “Embora nunca tenha buscado nada para mim, foi um verdadeiro privilégio poder servi-los todo estes anos”, declarou o líder durante o ato institucional de abertura das eleições. “Só tenho palavras de gratidão para meu povo, que em sua imensa maioria sempre nos respaldou, até nas horas mais duras.”

Após o resultado da eleição, o presidente condenou os episódios de violência vinculados a oposição e exaltou a vitória de Moreno. 

A eleição no Equador também tem repercussão internacional, com Lasso prometendo retirar o fundador da WikiLeaks, Julian Assange, da embaixada do Equador em Londres.

Moreno, de 64 anos, ex-vice-presidente, deixou de ganhar no primeiro turno, em fevereiro, pelo limite mínimo (ficou a 0,65 ponto porcentual da vitória) e as últimas pesquisas o mostravam a frente de Lasso no segundo. / AFP, EFE e REUTERS

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