Soliman Alnowab/EFE
Soliman Alnowab/EFE

Arábia Saudita intercepta míssil de rebeldes do Iêmen

Arábia Saudita intercepta projétil e acusa Irã de fornecer armas para os xiitas houthis; alvo era palácio onde vive o rei Salman

O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2017 | 09h48
Atualizado 19 Dezembro 2017 | 23h43

RIAD - A coalizão liderada pela Arábia Saudita interceptou nesta terça-feira, dia 19, um míssil balístico no céu da capital, Riad. O projétil foi lançado pelos rebeldes xiitas houthis, que lutam contra os sunitas para tomar o controle do Iêmen. É o terceiro míssil lançado pelos houthis contra o poderoso vizinho em menos de dois meses. O conflito no Iêmen é mais um capítulo na guerra indireta entre Arábia Saudita e Irã pela influência de países no Oriente Médio. 

Por volta do meio-dia em Riad (7 horas em Brasília), diversas pessoas saíram às ruas ao ouvir o ruído do míssil. “Ouvimos um zumbido muito alto e um forte estrondo”, afirmou Mohamed al-Ahram, que estava em um café em Riad e saiu para filmar com seu celular. “Havia um risco de fumaça cinza no céu, muito perto do chão”, disse ele ao jornal The New York Times. Testemunhas na capital saudita postaram vídeos nas redes sociais mostrando uma nuvem de fumaça no ar. 

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Após o disparo, os houthis afirmaram que a ação iniciava “um novo capítulo no confronto com a Arábia Saudita” e alertaram que palácios sauditas e pontos militares e de petróleo seriam alvos de novos mísseis. Mais cedo, os rebeldes haviam anunciado o lançamento do míssil com o objetivo de atingir o Palácio Yamama, residência oficial do rei Salman. 

Foi a terceira vez desde novembro que os houthis atacaram a Arábia Saudita. Em 4 de novembro, um míssil foi lançado em direção ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, levando os sauditas a acusar o Irã de cometer um “ato de guerra”. Os houthis, que lutam contra o domínio sunita e pela independência regional, são aliados do Irã, rival ferrenho da Arábia Saudita. Segundo os sauditas, Teerã patrocina com armas e treinamento os rebeldes houthis.

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Um relatório da empresa de segurança americana Stratfor mostrou que os mísseis dos houthis seriam provenientes do Irã. “Nas imagens, os mísseis parecem ser semelhantes em forma e dimensões aos mísseis Scud iranianos. As forças iemenitas provavelmente modificaram os mísseis da mesma forma que Coreia do Norte, Irã e Iraque fizeram antes deles”, dizia o relatório de novembro. 

Desde 2015, os sauditas lideram uma coalizão de países que vêm bombardeando o Iêmen em uma batalha para tentar retomar o controle do norte do país, tomado pelos rebeldes. Na última semana, os bombardeios mataram ao menos 136 civis – os ataques houthis deixaram 3 mortos.

A crise no país se intensificou nos últimos meses e jogou o Iêmen em uma crise humanitária que as Nações Unidas consideram uma das piores do mundo. A coalizão saudita bloqueou os portos e as entradas do país. A escassez agravou o pior surto de cólera da história moderna, que afeta um milhão de iemenitas. Sem comida, mais de 8 milhões de pessoas estão à beira da desnutrição, e 400 mil crianças padecem de desnutrição aguda.

Diante da catástrofe internacional, não há sinais de arrefecimento na guerra. O Iêmen se tornou um dos principais focos do conflito indireto entre Arábia Saudita e Irã, as duas potências regionais que tentam ter o maior número possível de países sob sua influência. 

Na terça-feira, dia 19, os sauditas disseram que foram alvo de um “míssil iraniano-houthi”.

O porta-voz saudita, Turki al-Maliki, disse que a posse dessas armas pelos houthis é “uma ameaça à segurança regional e internacional”. Em uma entrevista à Al Jazeera no começo do mês, Mohamed Abdulsalam, o porta-voz houthi, ameaçou a Arábia Saudita. “Os rebeldes vão atacar cada operação da Arábia Saudita na fronteira”, disse. “Os sauditas começaram a guerra e nós vamos terminar.” / AFP, AP e NYT

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