Reprodução/La Nacion
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Argentina acaba com gratuidade de 160 remédios distribuídos para aposentados

Mudança faz com que parte dos medicamentos do Programa de Atenção Médica Integral passem a ter descontos entre 50% e 80%

O Estado de S. Paulo

07 Abril 2016 | 16h09

BUENOS AIRES - O diretor do Programa de Atenção Médica Integral (Pami), Carlos Regazzoni, confirmou nesta quinta-feira, 7, que pelo menos 160 medicamentos foram removidos da lista de cobertura integral do programa de subsídio para aposentados e pensionistas por não terem "utilidade clínica". Regazzoni confirmou também que a quantidade de caixas de remédios entregues por mês para cada paciente será diminuída.

"Antes de excluirmos (os medicamentos) fizemos consultas a especialistas, incluindo profissionais de outros países, e nenhum deles (os países) cobrem 100% dos medicamentos que estavam na lista do Pami", disse Regazzoni ao jornal La Nacion. O diretor também explicou que ao mesmo tempo que o programa ofertava esses medicamentos gratuitamente tinha dificuldades para fornecer ambulâncias quando necessário.

A mudança foi anunciada na quarta-feira em comunicado divulgado pelo Pami em seu site. A nova lista de medicamentos com isenção total do preço seguirá a sugestão formulada por uma agência renomada em avaliação de tecnologias sanitárias e um convênio com a Universidade de Buenos Aires. Os medicamentos que perderam a gratuidade manterão, porém, um desconto que variará entre 50% e 80%.

"Este é um primeiro passo em direção a um Pami organizado, transparente e inovador, que significará uma melhora concreta da qualidade de vida de 5 milhões de argentinos", justificou o órgão em comunicado divulgado na quarta-feira.

Polêmica. Apesar da explicação oficial, especialistas questionaram a exclusão de alguns medicamentos considerados importantes do programa de desconto integral. "Como exemplo, podemos citar a amoxicilina com ambroxol ou os xaropes com butesina, que são produtos muito usados no inverno por idosos que tem bronquite ou outras patologias do tipo", afirmou Claudio Ucchino, presidente do Colégio de Farmacêuticos e Bioquímicos de Buenos Aires, também ao La Nacion.

Além disso, Ucchino queixou-se de que os farmacêuticos "não foram consultados" sobre a medida e a mudança nos subsídios, fazendo com que muitos aposentados não tenham dinheiro para pagar pela dose adequada dos medicamentos.

Para outros especialistas, no entanto, a maior parte dos medicamentos que perderam parte do subsídio não são de uso contínuo, o que deve evitar grandes complicações para os pacientes.

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