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Martin Zabala/AP

Argentina espera faturar com visita de Obama

Passagem do presidente americano por Buenos Aires pode representar US$ 16,1 bilhões em investimentos

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Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES,
O Estado de S. Paulo

26 Março 2016 | 05h00

BUENOS AIRES - Quando o presidente Barack Obama deixou a Argentina na madrugada da sexta-feira 25, governo e empresários locais calculavam o impacto econômico da visita de dois dias, acompanhada por 400 representantes de companhias americanas. 

O saldo inicial foi um anúncio de investimentos de US$ 2,3 bilhões no próximo ano por empresas que já estão na Argentina. A Casa Rosada recebeu ainda a promessa de 20 empresas de desembolso de US$ 13,8 bilhões ao longo de quatro anos – US 16,1 bilhões no total. Segundo o titular da Câmara de Comércio dos EUA (Amcham), Juan Vaquer, bancos estão interessados em financiar projetos de US$ 15,5 bilhões no setor público. Ele não informou a taxa de juros que seria cobrada.

Durante a visita, a secretária de Comércio dos EUA, Penny Pritzker, afirmou que o iminente acordo argentino com os holdouts, credores que não aceitaram a renegociação da dívida do país, “abre caminho para que investidores privados voltem ao setor energético”.

 

O governo acertou o pagamento a esses fundos, apelidados de abutres no governo anterior, mas falta o aval do Senado. No último dia da visita de Obama, os EUA solicitaram à Justiça americana que levante o bloqueio imposto ao país. “Se não se resolvem os acordos com os holdouts, poderia haver sérias consequências para a economia argentina e os interesses da política americana na região”, diz a petição. Outro trecho do documento afirma que, “sem acesso ao mercado internacional de capitais, o governo argentino corre o risco de perder a confiança com que investidores e a população saudaram as intenções do presidente Mauricio Macri.” 

O líder argentino tem sido pressionado para que as visitas de chefes de Estado se transformem em negócios. Antes de Obama, estiveram no país o presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi. “Em dois anos, teremos uma entrada de investimentos muito grande dos EUA que se somará ao que já vem da China e começou, é preciso dizer, no governo de Cristina Kirchner”, afirmou Macri ontem à Rádio Mitre.

Ele disse ter pedido a Obama que as agências de crédito estrangeiras garantam investimentos até que se baixe o risco país argentino, em 459 pontos – o brasileiro é de 427. Entre os produtos que mais rapidamente devem entrar no mercado dos EUA, segundo o presidente, estão carne, peras, mel e limão. O governo argentino disse que não há condições para assinatura de um tratado de livre comércio entre os dois países.

O FMI prevê recessão de 1% para este ano na Argentina. O país enfrenta um déficit fiscal de 7% e uma inflação de 34% nos últimos 12 meses, indicadores que têm deixado os investidores apreensivos. Conforme o economista Alfredo Girault, a passagem do americano dá sensação de previsibilidade, aumenta o investimento direto e permite financiamentos em melhores condições. “A crise do Brasil atinge a Argentina pelo alto nível de dependência. A aproximação com os EUA pode diminuir esse impacto, mas é difícil pensar em desvio de comércio”, disse ele ao Estado

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