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Argentina espera faturar com visita de Obama

- Atualizado: 25 Março 2016 | 20h 37

Passagem do presidente americano por Buenos Aires pode representar US$ 16,1 bilhões em investimentos

BUENOS AIRES - Quando o presidente Barack Obama deixou a Argentina na madrugada da sexta-feira 25, governo e empresários locais calculavam o impacto econômico da visita de dois dias, acompanhada por 400 representantes de companhias americanas. 

O saldo inicial foi um anúncio de investimentos de US$ 2,3 bilhões no próximo ano por empresas que já estão na Argentina. A Casa Rosada recebeu ainda a promessa de 20 empresas de desembolso de US$ 13,8 bilhões ao longo de quatro anos – US 16,1 bilhões no total. Segundo o titular da Câmara de Comércio dos EUA (Amcham), Juan Vaquer, bancos estão interessados em financiar projetos de US$ 15,5 bilhões no setor público. Ele não informou a taxa de juros que seria cobrada.

Presidente argentino, Mauricio Macri, recebe Barack Obama no palácio presidencial em Buenos Aires

Presidente argentino, Mauricio Macri, recebe Barack Obama no palácio presidencial em Buenos Aires

Durante a visita, a secretária de Comércio dos EUA, Penny Pritzker, afirmou que o iminente acordo argentino com os holdouts, credores que não aceitaram a renegociação da dívida do país, “abre caminho para que investidores privados voltem ao setor energético”.

 

O governo acertou o pagamento a esses fundos, apelidados de abutres no governo anterior, mas falta o aval do Senado. No último dia da visita de Obama, os EUA solicitaram à Justiça americana que levante o bloqueio imposto ao país. “Se não se resolvem os acordos com os holdouts, poderia haver sérias consequências para a economia argentina e os interesses da política americana na região”, diz a petição. Outro trecho do documento afirma que, “sem acesso ao mercado internacional de capitais, o governo argentino corre o risco de perder a confiança com que investidores e a população saudaram as intenções do presidente Mauricio Macri.” 

O líder argentino tem sido pressionado para que as visitas de chefes de Estado se transformem em negócios. Antes de Obama, estiveram no país o presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi. “Em dois anos, teremos uma entrada de investimentos muito grande dos EUA que se somará ao que já vem da China e começou, é preciso dizer, no governo de Cristina Kirchner”, afirmou Macri ontem à Rádio Mitre.

Ele disse ter pedido a Obama que as agências de crédito estrangeiras garantam investimentos até que se baixe o risco país argentino, em 459 pontos – o brasileiro é de 427. Entre os produtos que mais rapidamente devem entrar no mercado dos EUA, segundo o presidente, estão carne, peras, mel e limão. O governo argentino disse que não há condições para assinatura de um tratado de livre comércio entre os dois países.

O FMI prevê recessão de 1% para este ano na Argentina. O país enfrenta um déficit fiscal de 7% e uma inflação de 34% nos últimos 12 meses, indicadores que têm deixado os investidores apreensivos. Conforme o economista Alfredo Girault, a passagem do americano dá sensação de previsibilidade, aumenta o investimento direto e permite financiamentos em melhores condições. “A crise do Brasil atinge a Argentina pelo alto nível de dependência. A aproximação com os EUA pode diminuir esse impacto, mas é difícil pensar em desvio de comércio”, disse ele ao Estado

Obama na Argentina
Pablo Martinez Monsivais/AP
Argentina

Presidente Barack Obama e a primeira-dama, Michelle, dançam tango com dançarinos profissionais em Buenos Aires

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