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Argentinos fazem ato por Nisman após 1 ano

- Atualizado: 18 Janeiro 2016 | 23h 32

Manifestação para relembrar promotor que denunciou Cristina Kirchner e foi encontrado morto tem adesão baixa em relação a protestos de 2015

O aposentado Guillermo Balma chegou cinco horas antes ao ato que pediu ontem em Buenos Aires o esclarecimento do caso do promotor Alberto Nisman, encontrado morto em 18 de janeiro de 2015. Ao longo de um ano, o ex-operário de 72 anos viu minguar a mobilização sobre o tema, algo que exceções como ele e analistas atribuem à falta de fé na investigação e à “indignação seletiva” da sociedade. 

Na manifestação que começou às 19 horas e durou 50 minutos, centenas de velas foram usadas em homenagem ao promotor que investigou por 10 anos o atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em 1994. 

Ato em Buenos Aires lembra um ano da morte do promotor Alberto Nisman, em janeiro de 2016

Ato em Buenos Aires lembra um ano da morte do promotor Alberto Nisman, em janeiro de 2016

“Os argentinos têm memória curta. Têm tradição de protestar, mas (só) quando seu bolso é o alvo”, reclamou Balma. Ele usava uma camiseta preta estampada com a foto do promotor e carregava um cartaz com a frase “esteja eu ou não, as provas estão”, dita por Nisman em sua última entrevista. 

O comparecimento modesto à Praça Alemanha, um quarteirão que foi ocupado pela metade, se explica também pelas férias, que esvaziaram as metrópoles. A Delegação de Associações Israelitas Argentina (Daia) previu atos em mais três províncias. 

Na opinião da ensaísta Beatriz Sarlo, a diluição do interesse deve-se à falta de organizações civis fortes e à lenta investigação. “Meios de comunicação muitas vezes vão atrás da novidade e são incapazes de sustentar uma notícia, ainda que seja de maior interesse público”, afirmou ao jornal La Nación

Nisman foi encontrado morto quatro dias após acusar a ex-presidente Cristina Kirchner de proteger iranianos envolvidos no ataque segundo a Justiça local. Em 2013, o kirchnerismo assinou com o Irã um pacto para que os acusados fossem ouvidos em Teerã. 

Nisman dizia que o acordo previa impunidade em troca de uma transação comercial. Ele morreu na véspera de detalhar ao Congresso sua denúncia. A versão oficial da morte indicava suicídio, mas foi contestada por peritos da família de Nisman.

Um mês após a morte, pelo menos 200 mil manifestantes tomaram a Praça de Maio e as ruas ao redor para saber se ele havia se matado ou sido assassinado. “Depois da comoção inicial e da numerosa marcha de 18 de fevereiro, é verdade que não houve manifestações populares massivas. Mas o interesse cidadão para saber o que aconteceu está intacto”, afirmou ao Estado o presidente da Amia, Ralph Thomas Saieg.

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