Argentinos prestam solidariedade às famílias da tripulação de submarino desaparecido

Cerca de 500 habitantes de Mar del Plata foram à base naval da cidade com bandeiras, gritando palavras de apoio e orando, para demonstrar esperança de que a embarcação seja encontrada; parentes dos tripulantes agradeceram o ato

Luiz Raatz, enviado especial, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2017 | 21h38

MAR DEL PLATA -As famílias que continuam na Base Naval de Mar del Plata à espera de notícias sobre o destino dos 44 tripulantes do submarino ARA San Juan receberam neste sábado, 25, o apoio de cerca de 500 habitantes da cidade que foram à sede da Marinha lhes prestar solidariedade. Com bandeiras, gritos de apoio e orações, os moradores, que na sexta-feira, 24, também participaram de uma procissão rumo à base, demonstraram ter esperança de que o submarino seja encontrado.

Ao ver a manifestação de apoio, alguns dos parentes dos tripulantes saíram à porta da base para agradecer. Enquanto era preparada uma nova missão de busca após a chegada de equipamento de ponta da Rússia e dos Estados Unidos, alguns ainda acreditam ser possível encontrar seus entes queridos. "Ainda temos esperança", disse Zulma Sandoval, mãe de Oscar Vallejo, sonarista do submarino. "Não sejam duros conosco."

"Queremos que eles voltem", concordou Luisa Alfaro, mãe de Gabriel Alfaro, segundo suboficial da embarcação. "Ainda temos esperanças."

Malvina Vallejo, filha de Zulma e irmã de Oscar, conta que o cotidiano na base é duro, porque as famílias que ainda não deixaram o local ainda acreditam em um milagre que possa levar ao resgate da tripulação com vida, mesmo com a informação de que o submarino sofreu uma explosão no dia 15.

“Eu tento ser forte por minha mãe e meus sobrinhos. Às vezes tenho esperança, às vezes, não, mas muitas pessoas que estão lá ainda acreditam.”

Na sexta-feira, parte das famílias que estavam no local deixou a base após a confirmação da explosão. Muitos dos parentes dos tripulantes estavam irritados com a maneira com a qual a Marinha tem lidado com o desaparecimento.

“Somos de Mar del Plata e vamos à base todo dia de manhã e saímos perto da meia-noite”, contou Malvina. “Temos recebido assistência psicológica, de modo que não tenho o que dizer da Marinha. Venho de família militar.”

Segundo o porta-voz da Marinha, Enrique Balbi, uma nova missão de resgate com um minissubmarino americano acoplado a um cargueiro norueguês adaptado deveria sair na noite deste sábado, 25, do porto de Comodoro Rivadavia, na Patagônia, mas o mau tempo na área do resgate, com ventos e ondas de até 3 metros, poderá atrasar ainda mais a operação.

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