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Armas são responsabilidade de todos

Precisamos ter a coragem e a vontade de nos mobilizarmos para fazer o que um país forte e sensato faz em resposta a uma crise

BARACK OBAMA

- Atualizado:09 Janeiro 2016 | 09h 41

Obama se emociona ao lembrar massacre de Sandy Hook

Obama se emociona ao lembrar massacre de Sandy Hook

A epidemia de violência armada nos EUA, na verdade, é uma crise. Mortes e ferimentos causados por armas de fogo constituem uma das maiores ameaças à saúde pública e à segurança do povo americano. A cada ano, mais de 30 mil americanos têm a vida ceifada por armas. São suicídios, violência doméstica, tiroteios entre gangues, acidentes. Centenas de milhares de americanos perderam irmãos e irmãs, ou enterraram os filhos. Somos a única nação desenvolvida do mundo a sofrer esse tipo de violência em massa com tal frequência.

Uma crise nacional assim exige resposta nacional. Reduzir a violência por armas será difícil. Está claro que uma reforma na política de armas com base

no bom senso não ocorrerá neste Congresso, nem será durante minha presidência. No entanto, há passos que podemos dar agora para salvar vidas. Todos nós - em todos os níveis de governo, no setor privado e como cidadãos - temos de fazer nossa parte.

Somos todos responsáveis.

Na terça-feira, anunciei novas medidas que estou tomando, dentro de minha autoridade legal, para proteger o povo americano e manter armas longe das mãos de criminosos e gente perigosa. As medidas incluem garantir que todos os envolvidos em venda de armas de fogo sejam submetidos a controle de antecedentes, ampliar o acesso a tratamento de doenças mentais e aperfeiçoar a tecnologia de armas mais seguras. Tais ações não vão impedir todos os atos de violência, ou salvar todas as vidas - mas, mesmo que uma só vida seja poupada, terá valido o esforço.

Todos têm um papel a desempenhar - incluindo os donos de armas. Precisamos que a vasta maioria de proprietários responsáveis, que chora conosco a cada massacre e sente que sua posição não está sendo corretamente representada, some-se a nós e exija dos líderes que juntem suas vozes à do povo, que, se espera, representem.

A indústria de armas também tem de fazer sua parte. E isso começa com os fabricantes.

Como americanos, impusemos alto padrão aos bens de consumo, para segurança de nossas famílias e comunidades. Carros estão sujeitos a normas de segurança e controle de emissão de gases. A comida tem de ser limpa e saudável. Não acabaremos com a espiral de violência se não exigirmos da indústria de armas que adote medidas simples para também fazer produtos mais seguros. Se uma criança não consegue abrir um tubo de aspirina, temos de garantir que também não consiga puxar o gatilho de uma arma.

No entanto, hoje a indústria de armas quase não precisa prestar contas. Em consequência de décadas de atuação do lobby armamentista, o Congresso tem impedido que especialistas em segurança de produtos cobrem dos fabricantes que as armas de fogo estejam sujeitas até às mais básicas medidas de segurança.

Congressistas tornam difícil aos especialistas em saúde pública do governo fazer pesquisas sobre violência com armas. E garantem que os fabricantes gozem de virtual imunidade contra processos, o que significa que possam vender produtos letais e raramente arcar com as consequências.

Nós, como pais, não aceitaríamos isso se se tratasse de bancos defeituosos de carros. Por que aceitaríamos para produtos - armas - que matam tantas crianças a cada ano?

Nesta época em que fabricantes têm lucros crescentes, deveriam investir em pesquisa para fazer armas mais inteligentes e seguras. Coisas como desenvolver um sistema de microimpressão em munição que permita rastrear balas encontradas em cenas de crime até as armas das quais foram disparadas.

E, como em todas as indústrias, fabricantes de armas precisam tornar-se melhores empresários vendendo armas apenas a cidadãos responsáveis. Devem isso a seus clientes.

No fim, isso diz respeito a nós todos. Ninguém nos cobra que tenhamos o heroísmo de um Zaevion Dobson, o adolescente de 15 anos do Tennessee morto antes do Natal ao proteger com o próprio corpo amigos sob o fogo de armas. Ou que adotemos o desprendimento de inúmeros parentes de vítimas que tomaram como missão dedicar-se a pôr fim à violência sem sentido. Mas precisamos ter a coragem e a vontade de nos mobilizar e organizar para fazer o que um país forte e sensato faz em resposta a uma crise como esta.

Precisamos de líderes corajosos o bastante para se levantarem contra as mentiras dos fabricantes de armas. Precisamos proteger os amigos. Temos de exigir dos governadores, prefeitos e representantes no Congresso que façam sua parte.

São mudanças difíceis, que não ocorrerão da noite para o dia. Mas garantir às mulheres o direito de voto também não aconteceu de um dia para outro. Ampliar os direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros americanos levou décadas.

Conquistas como essas exigiram o melhor da democracia e do povo americanos. Enfrentar a crise da violência armada exigirá o mesmo incansável empenho, por muitos anos e em todos os níveis. Se conseguirmos agir agora com a mesma audácia, chegaremos às mudanças que buscamos. E deixaremos para nossos filhos um país mais forte e seguro.

*BARACK OBAMA É PRESIDENTE DOS EUA

TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

 

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