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Artigo: uma voz venezuelana dissidente no Brasil

Milos Alcalay, ex-embaixador da Venezuela no Brasil

02 Abril 2014 | 00h 26

A deputada venezuelana María Corina Machado, cuja carreira no Parlamento foi arrebatada institucionalmente, fará uma exposição sobre a grave situação na Venezuela perante a Comissão de Política Externa do Senado brasileiro. A atuação da aguerrida parlamentar, que na semana passada abordou a questão no Parlamento do Peru e antes disto na OEA - Organização dos Estados Americanos -, foi considerada "traição à pátria" por defender princípios democráticos. Na ocasião ela poderá expressar-se livremente diante do foro parlamentar de Brasília, expondo a grave situação que atravessa a Venezuela neste momento de crise e de colapso institucional e solicitar a solidariedade da diplomacia parlamentar na busca de soluções pacíficas para o atual confronto.

Lembrando uma frase de Henry Kissinger, "para onde o Brasil se dirigir, o resto da América Latina se dirigirá" alguns países reconhecem o papel fundamental que o subcontinente sul-americano é chamado a cumprir no âmbito das relações hemisféricas. Esta prioridade ficou evidenciada no âmbito das relações estratégicas entre Venezuela e Brasil tanto no campo bilateral como multilateral, quando ambos os Estados compartilhavam suas esperanças de democratização da América Latina e a construção de um sistema hemisférico de proteção dos direitos humanos, consolidadas pelos vínculos privilegiados entre os presidentes Caldera. Lusinchi, Herrera Campinse Carlos Andrés com seus homólogos José Sarney, Tancredo Neve, Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso, e que continuaram com Lula e Hugo Chávez.

À medida que o sistema democrático venezuelano foi deteriorando o Parlamento brasileiro organizou uma série de sessões nas Comissões de Política Externa do Senado e da Câmara dos Deputados para conhecer a realidade e ouvir a posição de dirigentes como Leopoldo López, que se referiu à pena que o impediu de ocupar cargos públicos, uma decisão arbitrária tomada há alguns anos; ou Antonio Ledezma, para saber a opinião do prefeito metropolitano de Caracas sobre a aplicação da cláusula democrática no Mercosul; ou Marcel Granier em relação ao fechamento da RCTV, ou Ramon Guillermo Aveledo para indagar sobre as propostas do movimento democrático Unido.

A visita de Maria Corina é crucial porque alguns membros que integram o governo de Dilma Rousseff, caso do senador Ricardo Ferraço do PMDB, que preside a Comissão de Política Externa, e também membros da oposição, como Fernando Henrique Cardoso, que assinou uma declaração de apoio com vários ex-mandatários latino-americanos, poderiam encorajar o chanceler Luiz Alberto Figueiredo assumir a tarefa de fomentar a confiança mútua graças ao papel de mediador que lhe foi atribuído pela Unasul com vistas a uma solução democrática. Em diversos parlamentos da América Latina, da Europa e de outras regiões, foram aprovadas resoluções em que foi expressada a preocupação com a crescente militarização, repressão e autoritarismo, além do descumprimento de compromissos econômicos.

É uma oportunidade para a deputada que se tornou a voz da oposição repudiar as medidas arbitrárias e inconstitucionais adotadas contra seu mandato parlamentar, denunciar a detenção injustificada de Leopoldo López e de prefeitos presos e condenar a repressão e as torturas desmedidas como resposta à explosão social pacífica dos indignados que têm se manifestado em massa desde 12 de fevereiro. A imprensa brasileira tem abordado a situação no país e as posições da corajosa parlamentar, cujas declarações provocaram represálias que deixam à mostra o perfil do governo de Maduro e que poderão ser ouvidas pelos diferentes setores brasileiros. / Tradução de Terezinha Martino

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