1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Cortar rota entre Alepo e Turquia reduzirá o abastecimento dos terroristas, diz Assad

- Atualizado: 12 Fevereiro 2016 | 16h 41

Em entrevista, presidente sírio disse estar determinado a seguir com o controle de todo o país, mas destacou que o combate aos rebeldes pode durar muito tempo

DAMASCO - A batalha na região de Alepo, ao norte da Síria, tem como objetivo "cortar a rota entre Alepo e Turquia", e não retomar o controle da segunda maior cidade do país, afirmou o presidente sírio, Bashar Assad, em entrevista exclusiva concedida na quinta-feira à agência de notícias France-Presse. Esta foi a primeira vez em que o líder conversou com um veículo de comunicação desde o fracasso, em janeiro, das negociações de paz em Genebra e o lançamento por seu exército de uma ampla ofensiva militar em Alepo, com o apoio da aviação russa.

A importância de cortar esta rota é que ela constitui "a principal via de abastecimento dos terroristas", declarou. Em seu gabinete em Damasco, Assad se manifestou disposto a negociar com a oposição, enquanto continua a guerra contra os insurgentes armados.

Presidente Bashar Assad em entrevista para a agência de notícias AFP, a primeira desde o fracasso, em janeiro, das negociações de paz em Genebra

Presidente Bashar Assad em entrevista para a agência de notícias AFP, a primeira desde o fracasso, em janeiro, das negociações de paz em Genebra

"Desde o início da crise, acreditamos totalmente nas negociações e na ação política. Contudo, negociar não significa que vamos parar de combater o terrorismo. As duas vertentes são indispensáveis na Síria (...). A primeira é independente da segunda."

O regime do país qualifica de “terroristas” todos os opositores armados, tanto os moderados quanto os jihadistas. A guerra no território sírio já causou a morte de mais de 260 mil pessoas em quase 5 anos e deixou milhões exiladas. Muitas delas seguem para a Turquia em busca de um refúgio.

Assad disse estar determinado a levar adiante o controle de toda a Síria, mas previu que o combate aos rebeldes, que busca derrotar há quase cinco anos, pode ser longo. "Não é lógico dizer que há uma parte do nosso território à qual nós renunciamos", destacou o líder de 50 anos de idade.

O presidente afirmou que existe o risco de uma intervenção militar turca e saudita no país, mas que suas forças "vão enfrentar" qualquer ação.

"É uma possibilidade que eu não posso excluir pela simples razão que (o presidente turco Recep Tayyip) Erdogan é alguém intolerante, radical, pró-Irmandade Muçulmana e que vive o sonho otomano (...). E o mesmo acontece com a Arábia Saudita. De qualquer forma, tal ação não seria fácil para eles e nós com certeza vamos enfrentar", garantiu Assad.

Com relação às acusações de crime de guerra, o presidente sírio nega categoricamente as alegações da ONU de que seu regime é responsável por vários deles, afirmando que as instituições das Nações Unidas são "dominadas pelas potências ocidentais", e que "a maior parte de seus relatórios são politizados".

"O que refuta as declarações ou relatórios dessas organizações, primeiro é que não trazem evidências", afirmou. "É por isso que eu não temo nem ameaças nem essas alegações", ressaltou ao ser perguntado se não tinha medo de prestar contas a um tribunal internacional.

Em relação à crise dos refugiados, o líder sírio afirmou que a Europa deve criar condições para ajudar no retorno das pessoas a seus países. "Eu vou pedir aos governos europeus que contribuíram diretamente para o êxodo (dos refugiados sírios), proporcionando uma cobertura aos terroristas e impondo o embargo contra a Síria, que ajudem no retorno deles às suas casas", afirmou. /AFP

Sofrimento dos moradores de Alepo, na Síria
AP Photo/SANA
Sofrimento dos moradores de Alepo, na Síria

Moradores se reúnem em rua atingida por bomberdeios em Alepo, na Síria. O exército da Rússia interveio no território sírio em setembro de 2015 em apoio ao presidente Bashar Assad. Para Moscou, operação procura combater Estado Islâmico e outros jihadistas em guerra contra o regime. Contudo, países ocidentais acusam os russos de atacarem também a oposição considerada democrática

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em InternacionalX