AP Photo/Frank Augstein
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Assange manterá promessa e aceitará extradição aos EUA, diz advogada

Em entrevista à agência Associated Press, Melinda Taylor afirmou que o fundador do WikiLeaks continua disposto a entregar à Justiça americana; em tuíte, Assange diz que espera ter 'julgamento justo'

O Estado de S. Paulo

18 Janeiro 2017 | 11h20

LONDRES - Uma advogada do fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, afirmou na noite de terça-feira, 17, que ele manterá sua promessa e aceitará ser extraditado para os Estados Unidos. Na semana passada, Assange afirmou que se Obama suspendesse a condenação da ex-soldado Chelsea Manning, se entregaria à Justiça americana.

"Ele mantém tudo que afirmou", disse à Associated Press Melinda Taylor, uma das advogadas que representa o australiano, ao explicar que ele não desistirá do compromisso. Além disso, uma mensagem publicada na conta do WikiLeaks no Twitter fez sugestão na mesma linha.

"Assange está confiante de que terá um julgamento justo nos Estados Unidos. O Departamento de Justiça de Obama impediu a defesa do interesse público e um júri justo", disse a conta do site no microblog. Como a redução de pena de Chelsea foi feita por Obama apenas três dias antes de ele deixar a Casa Branca, qualquer decisão sobre extraditar e processar Assange ficará, no entanto, para o governo de Donald Trump.

Ao comentar a redução de pena de Chelsea, o fundador do WikiLeaks não fez, porém, nenhum menção ao seu próprio futuro. "Obrigado a todos que fizeram campanha pela clemência para Chelsea Manning. Sua coragem e determinação tornaram possível o impossível", disse Assange, através da conta no Twitter do Wikileaks.

Chelsea Manning foi quem vazou em 2010 para Assange - que desde 2012 está refugiado na embaixada do Equador em Londres -, um número recorde de documentos secretos (470 mil registros das guerras do Iraque e Afeganistão, 250 mil telegramas do Departamento de Estado e outros documentos classificados), o que representou um revés para a diplomacia americana quando o WikiLeaks publicou os documentos.

Em junho daquele ano, Chelsea Manning, que naquela época se chamava Bradley, foi presa, e em 2013 condenada a 35 anos de prisão. Na prisão militar do Kansas, onde cumpre pena, começou um tratamento de mudança de sexo para ser mulher e se tentou suicidar em duas ocasiões nos últimos meses.

Também na quinta-feira, a Casa Branca afirmou que a oferta de Assange não afetou a decisão de Barack Obama ao decidir pela redução de pena de Chelsea. "A decisão do presidente não foi influenciada pelo comentários do sr. Assange ou da organização WikiLeaks", disse um funcionário do governo. "Não tenho informações sobre os planos de viagem do sr. Assange e não posso falar sobre potenciais acusações que ele poderá enfrentar do Departamento de Justiça." / AP, EFE

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