EFE/EPA/MIRAFLORES PALACE PRESS OFFICE
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Credores internacionais anunciam calote da Venezuela em títulos da dívida

Decisão tomada por unanimidade em reunião nos Estados Unidos dificulta a obtenção de créditos internacionais, agrava a crise econômica venezuelana e coloca mais pressão sobre o governo do presidente Nicolás Maduro

O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2017 | 20h51

NOVA YORK - A Associação Internacional de Swaps e Derivados (Isda, na sigla em inglês), que reúne credores da dívida venezuelana, decidiu nesta quinta-feira, 16, em reunião em Nova York, que tomou um calote do governo da Venezuela e da estatal petrolífera PDVSA. “O grupo decidiu que houve um default de pagamentos”, afirmou a Isda, em um curto comunicado.

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Entre os membros do comitê da Isda estão bancos e firmas de investimento como JPMorgan, Goldman Sachs, Elliott Management, Citadel e AllianceBernstein. A decisão que determinou o calote da Venezuela foi tomada por unanimidade – 15 votos a 0. A decisão deve acionar o pagamento do seguro conhecido como CDS (Credit Default Swaps), que remunera o segurado quando ocorre o calote, e agravar ainda mais a crise econômica da Venezuela, que já passa por uma severa restrição de créditos internacionais. Detalhes sobre como o mecanismo funcionará serão anunciados pelo comitê da Isda, que se reunirá na segunda-feira.

Na segunda-feira, duas agências de classificação de risco, a Fitch e a Standard & Poor’s, já haviam declarado o default parcial da dívida externa da Venezuela e da estatal petrolífera PDVSA, depois que o governo do presidente Nicolás Maduro não conseguiu pagar US$ 200 milhões em bônus globais. Os títulos da estatal representam 30% da dívida total do país, que chega a US$ 150 bilhões. 

Crise grave

A Venezuela vive a pior crise econômica de sua história, que se agravou com a queda dos preços do petróleo, em 2014. A produção petrolífera é praticamente a única fonte de moeda forte da Venezuela. O país é quinto maior exportador mundial de petróleo, produz cerca de 3 milhões de barris diários e comercializa cerca de 2,5 milhões, especialmente para os EUA e a China. A venda do produto é responsável por até 95% das receitas de exportação. 

O calote da Venezuela é apenas uma questão de tempo

A queda do preço internacional do petróleo significa menos receita, que por sua vez diminuiu a capacidade de investimento do Estado. Para priorizar o pagamento da dívida, o governo venezuelano deixou de ofertar dólares para produtores de alimentos e para a importação de remédios, o que aumentou a escassez de produtos de primeira necessidade no país. 

No início do ano, para honrar seus compromissos, Maduro recorreu a financiamento externo da Rússia, da China e de bancos americanos. No entanto, as sanções impostas pelos EUA, em agosto, tornaram impossível para os venezuelanos renegociarem suas dívidas e obter mais crédito. 

Na segunda-feira, a Fitch emitiu parecer similar. “O processo de reestruturação da dívida da PDVSA será longo em razão das sanções impostas pelos Estados Unidos”, disse a consultoria, em nota. “As contas do governo simplesmente não fecham”, afirmou o economista venezuelano Orlando Ochoa. “Os credores estão preocupados. E com razão.” 

 Na terça-feira, a Venezuela parecia ter conseguido um respiro ao anunciar um acordo para refinanciar sua dívida com a Rússia, um de seus principais credores. Na ocasião, uma delegação liderada pelo ministro venezuelano das Finanças, Simon Zerpa, acertou com autoridades russas a reestruturação da dívida de US$ 3 bilhões contraída em 2011 para compra de armas.

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Em ordem

O governo de Maduro, no entanto, tem se esforçado para vender uma imagem responsável e até esta quinta insistia que estava honrando seus compromissos. “Começamos a pagar os juros da dívida da Venezuela e, na semana passada, a PDVSA começou a pagar seus compromissos também”, disse o ministro venezuelano da Comunicação, Jorge Rodríguez. “Somos bons pagadores, ao contrário do que dizem as agências de risco, o Departamento do Tesouro e o presidente Donald Trump.”

Pouca gente acreditou. Tanto a Fitch quanto a Standard & Poor’s afirmam que dificilmente o país terá condições de pagar o que deve em razão das baixas reservas internacionais do país, do alto valor dos próximos compromissos devidos e das sanções impostas pelos EUA, que impedem instituições financeiras de realizar transações com os venezuelanos, entre as quais empréstimos e refinanciamentos de títulos já existentes. / AP e REUTERS

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