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Ataque a mesquita mata 64 e para negociações no Iraque

Estadão Conteúdo

22 Agosto 2014 | 17h 49

Um ataque realizado a uma mesquita sunita no Iraque deixou pelo menos 64 pessoas mortas nesta sexta-feira e ainda contribuiu para que fossem interrompidas as negociações entre parlamentares iraquianos para a formação de um novo governo. Indignados com a ação, os representantes sunitas no parlamento abandonaram as conversas. O abandono cria um grande desafio para o primeiro-ministro interino Haider al-Abadi, um xiita que tem se esforçado para criar um governo inclusivo e capaz de confrontar grupos rebeldes.

Ainda não está totalmente claro se o atentado é de autoria de militantes xiitas ou de membros do Estado Islâmico. O ataque aconteceu na vila de Imam Wais, cerca de 120 quilômetros a nordeste de Bagdá, capital do país, e, segundo testemunhas, começou com um ato suicida na entrada da mesquita. Em seguida, homens entraram no templo atirando contra aqueles que rezavam. Além das 64 mortes, outras 60 pessoas ficaram feridas.

As fontes disseram que combatentes do grupo Estado Islâmico vem tentando convencer integrantes de duas importantes tribos sunitas locais - a Oal-Waisi e a al-Jabour - a juntar-se a eles, mas até agora as tribos têm se recusado. As cidades de Jalula e al-Saadiyah caíram recentemente nas mãos dos militantes do Estado Islâmico, mas Imam Wais continua sob controle do governo.

Autoridades de Imam Wais disseram que as forças de segurança iraquianas e milicianos xiitas correram para o local após o ataque para reforçar a segurança na região, mas foram impedidos por bombas plantadas pelos militantes, medida que permitiu que eles fugissem. Quatro milicianos xiitas foram mortos e treze ficaram feridos pelos explosivos.

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, o sacerdote xiita mais influente do Iraque, o grande aiatolá Ali al-Sistani, afirmou que os líderes políticos do país deveriam deixar de lado suas diferenças e se apressar em formar um novo governo, "realista e factível", em meio à insurgência cada vez maior dos sunitas. Ele acresceu que o próximo governo deveria ser formado por candidatos que "realmente se importam com o futuro do país e com seus cidadãos".

O primeiro-ministro Haider al-Abadi tem até o próximo dia 10 de setembro para apresentar uma lista com nomes que possam ocupar o parlamento e, posteriormente, serem aprovados. No entanto, as recorrentes disputas políticas têm dificultado o cumprimento dos prazos. Desde o começo do ano, o Iraque vem sendo palco de ataques coordenados por extremistas do Estado Islâmico, com o apoio em alguns locais de militantes sunitas. A crise se agravou em junho, quando o grupo tomou o controle de Mosul, a segunda maior cidade do país. Fonte: Associated Press.

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