Ataque aéreo da Otan mata 33 civis no Afeganistão

Um ataque aéreo realizado ontem pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) matou pelo menos 33 civis no sul do Afeganistão, afirmaram hoje funcionários. A notícia vem a público no momento em que as forças aliadas trabalham para derrotar bolsões de resistência do Taleban em Marjah, também no sul, e obter a confiança da população local.

AE, Agencia Estado

22 Fevereiro 2010 | 09h47

O ataque aéreo realizado ontem atingiu um comboio de micro-ônibus levando mulheres e crianças em uma zona remota do sul do país, perto do limite entre as províncias de Uruzgan e Daykundi. A área fica a centenas de quilômetros distante de Marjah, onde ocorre a maior ofensiva das tropas aliadas desde a invasão ao Afeganistão, em 2001. O ataque aéreo foi uma mostra um dos grandes problemas enfrentados pelas forças de coalizão, enquanto tentam ganhar a confiança e o apoio dos civis em Marjah e por todo o Afeganistão: descobrir quem é aliado e quem é inimigo.

Segundo a Otan, suas forças acreditavam que os micro-ônibus levavam insurgentes para atacar tropas afegãs e da própria organização. Após o ataque aéreo, tropas foram até o local e "encontraram mulheres e crianças", segundo o comunicado. Os feridos foram levados para uma instalação da Otan onde receberam tratamento. Funcionários afegãos e da Otan exigiram uma imediata investigação. A organização não informou o número de mortos pelo ataque e funcionários afegãos forneceram números conflitantes.

O gabinete do presidente Hamid Karzai afirmou que morreram 33 pessoas. Já Khudai Rahim, o vice-governador de Uruzgan, citou 27 mortos, entre eles pelo menos cinco mulheres e uma criança. Anteriormente, Rahim disse que havia entre 20 e 25 mortos, a maioria mulheres e crianças.

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As mortes de civis há anos enfurecem a população local, além de serem usadas pelo Taleban como uma arma de propaganda. Karzai repetidamente critica as mortes de civis pela Otan. O tema foi parte importante da fala do presidente em seu discurso, ontem, na sessão inaugural do ano no Parlamento afegão. O palácio presidencial afegão qualificou hoje o ataque aéreo como "injustificável". Segundo esse texto, o comboio civil seguia para Kandahar, maior cidade do sul afegão.

No ano passado, o general dos EUA Stanley McChrystal, principal comandante da Otan no país, ordenou regras para evitar as mortes de civis. Com isso, a ocorrência dessas mortes caiu em um terço no ano passado. Ainda assim, McChrystal e Karzai afirmam que o número precisa cair mais. O general norte-americano lamentou, em comunicado, a "trágica perda de vidas inocentes".

A ofensiva em Marjah também resultou na morte acidental de civis desde seu início, no dia 13. Até agora, pelo menos 19 civis morreram, além de 13 soldados da coalizão e um soldado afegão. Comandantes da coalizão temem que as mortes de civis atrapalhem a meta de restaurar a autoridade do governo afegão na cidade do sul do país. As informações são da Dow Jones.

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