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REUTERS/Martin Bureau

Ataque eleva incerteza sobre reação de eleitores

Candidatos cancelam comícios e militantes tentam usar tiroteio em favor de Le Pen 

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Andrei Netto, Correspondente / Paris ,
O Estado de S. Paulo

20 Abril 2017 | 21h34

O atentado cometido na Avenida Champs-Elysées é mais um elemento de incerteza na campanha presidencial da França, que se encerra nesta sexta-feira, 21, a 48 horas da abertura das urnas. A ação ocorreu no momento em que os 11 candidatos concediam entrevistas na sede da rede pública France Télévisions, situada 4,8 km do local do ataque. Um a um, vários cancelaram os atos de amanhã, antecipando o fim da campanha. 

Dentre os cinco candidatos mais importantes, o social-liberal Emmanuel Macron, do movimento En Marche!, pôde se manifestar ao vivo, no momento em que os fatos aconteciam. “O primeiro dever do presidente da república é o de proteger. Nesta noite, no momento em que falamos, sabemos que pelo menos um policial foi morto. Ainda não sabemos qualificar o que aconteceu”, afirmou Macron, que é o favorito para vencer o primeiro turno, segundo os institutos de pesquisa. 

Segundo o ex-ministro da Economia, os franceses precisam estar conscientes de que a ameaça terrorista persistirá, qualquer que seja o novo presidente. “Essa ameaça é imponderável e fará parte de nosso cotidiano nos próximos anos”, afirmou Macron, ressaltando sua solidariedade e às forças de ordem, alvos do ataque.

Outros protagonistas da campanha presidencial reagiram nos minutos que se seguiram de imediato via redes sociais, já que suas entrevistas na emissora de TV já haviam acontecido. “Emoção e solidariedade por nossas forças de ordem, de novo alvo”, afirmou a nacionalista Marine Le Pen, da Frente Nacional, cuja campanha teve como base a denúncia da imigração e da insegurança, temas que, segundo ela, estariam relacionados. 

Em empate técnico com Marine Le Pen na disputa por um lugar no segundo turno, o conservador François Fillon, do partido Republicanos, também ressaltou sua emoção em relação à perda de um policial no ataque. “Homenagem às forças de ordem, que dão suas vidas para proteger as nossas”, afirmou.

Ainda via Twitter, o radical de esquerda, Jean-Luc Mélenchon, do movimento França Insubmissa, também enviou sua solidariedade para com os policiais e suas famílias. “Os atos terroristas se ficarão jamais impunes, os cúmplices não serão jamais esquecidos”, afirmou Mélenchon, até hoje também em empate técnico na disputa por uma vaga no segundo turno. 

Após um primeiro momento de introspecção e moderação, os candidatos voltaram a tomar a palavra no final do programa de entrevistas, então o tom de campanha retornou. Fillon, que fez toda a campanha ressaltando que sua prioridade seriam as reformas econômicas liberalizantes, afirmou que “a luta contra o terrorismo deve ser a prioridade absoluta do próximo”.

“Estamos frente a um ato que se parece terrivelmente como um ato terrorista”, disse ele, lançando no ar um rumor alarmista que não se confirmou: “Insinuam-nos que há outros atos de violência em Paris.”

Críticas. O deslize foi criticado minutos depois pelo porta-voz do Ministério do Interior, Pierre-Henri Brandet. “Não, não há outros eventos em curso. Sejamos muito atentos aos rumores que podem circular”, afirmou.

Segundo pesquisa publicada hoje pelo instituto Harris Interactive, horas antes do atentado, Macron lidera a corrida presidencial com 25% das intenções de voto no primeiro turno, seguido de Marine Le Pen, com 22%, empatada na liderança, mas no limite da margem de erro. Em terceiro estariam empatados Mélenchon e Fillon, ambos com 19% das intenções de voto.

A pesquisa foi uma das últimas publicadas antes do fim da campanha oficial, que proibirá a divulgação de novas sondagens nas próximas 48 horas, até o fechamento das urnas.

No final da noite de hoje e no início da madrugada, a reportagem do Estado contatou diferentes analistas políticos, que se recusaram a avaliar o potencial impacto do atentado no curso da eleição presidencial. 

Nas redes sociais, militantes de extrema direita tentaram usar os eventos da noite em favor da candidatura de Marine Le Pen, pregando a saída da França da União Europeia e o retorno das fronteiras nacionais. Em resposta, usuários lembraram que o atirador da Champs-Elysées era um francês nascido na periferia de Paris, e não um estrangeiro.

 

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